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Um ensaio clínico conduzido por investigadores do Karolinska Institutet na Suécia sugere que o treino intervalado de alta intensidade (HIIT) pode ser uma arma mais potente contra a debilitação causada pelas miopatias inflamatórias idiopáticas do que os regimes de exercício ligeiro tradicionalmente recomendados.
A investigação, publicada na revista eBioMedicine, focou-se em 23 pacientes recrutados nos hospitais universitários de Karolinska, em Estocolmo, e de Uppsala, todos com diagnóstico recente deste grupo de doenças autoimunes raras que se caracterizam por fraqueza muscular e fadiga profunda. Os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos: um seguiu um programa de HIIT em bicicleta estática três vezes por semana durante doze semanas, enquanto o outro grupo praticou exercícios de intensidade moderada em sua casa, conforme é comum na prática clínica atual.
Os resultados não deixam margem para dúvidas. O grupo submetido ao treino intensivo registou um incremento médio de 16% na sua capacidade aeróbica, um salto que contrasta vivamente com a melhoria de apenas 1,8% observada no grupo de controlo. Para além do fôlego, a resistência muscular também melhorou de forma mais expressiva nos que fizeram HIIT. Biópsias musculares analisadas pela equipa detetaram ainda melhorias na função mitocondrial, a patilha silenciosa da produção de energia nas células, o que poderá explicar parte dos ganhos funcionais.
Um dado crucial acalma receios antigos: a atividade da doença manteve-se estável em ambos os grupos, sem indícios de que o exercício mais exigente tenha fuelado a inflamação ou causado danos musculares adicionais. Kristofer Andreasson, investigador principal do Departamento de Medicina do Karolinska Institutet em Solna, sublinha a importância destas descobertas. “A nossa investigação demonstra que o treino intervalado de alta intensidade é seguro e melhora de forma marcante a função muscular e a capacidade aeróbica”, afirmou. “Uma melhor condição física pode atuar como um escudo contra o risco cardiovascular acrescido nestes doentes, ao mesmo tempo que lhes confere mais energia para as tarefas diárias e maior independência.”
Apesar do entusiasmo, os cientistas pedem cautela. O tamanho reduzido da amostra é uma limitação inegável, e são necessários estudos mais alargados para confirmar estes resultados e perceber os efeitos a longo prazo. Se futuras investigações corroborarem estes achados, o HIIT poderá vir a estabelecer-se como um complemento decisivo à terapêutica farmacológica, oferecendo uma rota para ganhos palpáveis na capacidade física e na qualidade de vida de quem vive com estas doenças.
O trabalho de investigação contou com financiamento principal do Conselho de Investigação Sueco, da Região de Estocolmo, da Associação Sueca de Reumatologia e da Fundação Pulmão e Coração Sueca.
Referências Bibliográficas:
Andreasson, K. et al. High-intensity training improves muscle function in inflammatory muscle disease. eBioMedicine (2025). https://doi.org/10.1016/j.ebiom.2025.106051
NR/HN/AlphaGalileo



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