Agulhamento Subcutâneo de Fu Alivia Dor Crónica ao Restaurar Fluxo Sanguíneo

30 de Novembro 2025

Um estudo da Universidade de Medicina Chinesa de Guangzhou revela como a técnica de agulhamento subcutâneo liberta a tensão muscular, interrompendo a libertação anormal de ATP e restaurando a circulação. O método oferece uma alternativa aos analgésicos

A forma como a dor crónica é tratada pode estar prestes a mudar, deslocando o seu foco dos nervos para os músculos. Um novo estudo defende que a origem de muitas dores persistentes reside em fibras musculares cronicamente contraídas, que comprimem artérias e desencadeiam uma cascata de eventos bioquímicos. Esta perspetiva desafia os modelos neurocêntricos dominantes e abre caminho a intervenções que visam diretamente o tecido muscular.

Investigadores da Universidade de Medicina Chinesa de Guangzhou detalham o mecanismo por trás do Agulhamento Subcutâneo de Fu (FSN, na sigla inglesa), uma técnica que combina princípios da acupuntura com conhecimentos de miologia moderna. O trabalho, publicado no Journal of Traditional Chinese Medical Sciences, explica como a manipulação de uma agulha na camada subcutânea consegue descomprimir músculos, normalizar o aporte de oxigénio e travar a libertação de ATP, uma molécula que sinaliza dor.

A técnica, que já demonstrou resultados imediatos em casos de osteoartrite do joelho e dores viscerais, entre outras, opera a partir da superfície. Em vez de atingir camadas musculares profundas, uma agulha especial é inserida sob a pele. O movimento de vaivém que se segue atua mecanicamente sobre o tecido contraído, libertando-o. O processo parece simples, mas o seu impacto fisiológico é complexo. Ao aliviar a compressão arterial, o FSN reverte a hipoxia local e protege as mitocôndrias. Sem esse stresse, as células musculares deixam de libertar ATP para o espaço exterior, o que impede a ativação dos recetores de dor P2X3 nas terminações nervosas.

“Estamos a mudar a compreensão da dor de teorias centradas nos nervos para um modelo centrado nos músculos”, afirmou o autor do estudo. “A tensão muscular crónica não é apenas um sintoma, mas um condutor de isquemia, stresse celular e sinalização de dor. Ao abordar esta origem muscular, o FSN não se limita a mascarar a dor — ajuda a resolvê-la.”

A simplicidade operacional do método, que os seus proponentes descrevem como alinhada com o princípio “Keep It Simple, Stupid”, é uma das suas vantagens. Evita os efeitos secundários de fármacos e os riscos associados a agulhas profundas. Para muitos doentes que não toleram medicação ou não obtêm alívio com terapias convencionais, o FSN surge como uma opção viável. O seu perfil de segurança sugere uma fácil implementação em clínicas comunitárias e contextos de medicina integrativa.

O futuro deste abordagem poderá passar pelo desenvolvimento de ferramentas específicas para FSN, a integração de inteligência artificial na formação de terapeutas e, quiçá, a criação de departamentos de miologia clínica. Ao reposicionar o músculo no centro da patologia da dor, esta técnica pode fundamentar uma nova geração de terapêuticas que reduzam a dependência de analgésicos.

Referências bibliográficas:
Rethinking pain: How pulling back and forth the subcutaneous tissue restores blood flow and eases chronic pain. Journal of Traditional Chinese Medical Sciences (2025). DOI: 10.1016/j.jtcms.2025.09.008.
https://doi.org/10.1016/j.jtcms.2025.09.008

NR/HN/AlphaGalileo

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