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Num discurso que procurou acender um rastilho de compromisso, o bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, apelou diretamente à consciência da classe, sublinhando o seu peso específico na definição do futuro do Serviço Nacional de Saúde. A intervenção marcou o encerramento do 28.º congresso da Ordem, que decorreu em Coimbra, e serviu para Cortes traçar um caminho de maior envolvimento, longe de uma postura meramente crítica.
“Não somos uma Ordem de apontar o dedo, somos uma Ordem de inclusão”, afirmou, tentando plasmar um espírito de missão coletiva. A mensagem central foi a de que os médicos não podem ficar enclausurados nas suas consultas e salas de operações. Cortes foi perentório ao exigir que a profissão abrace uma “dimensão cívica, coletiva e uma dimensão política”, argumentando que boas condições de trabalho – fundamentais para bons cuidados – dependem também deste tipo de empenho.
O bastonário não ignorou o desgaste que se instalou entre muitos profissionais. Reconheceu o esmorecimento perante as dificuldades, mas contra-atacou com a necessidade de encontrar um objetivo mobilizador. “Acho que este é um objetivo da classe médica para os próximos anos: ajudarmos a endireitar, enfim, a melhorar, a reconstruir, a direcionar, a dar um rumo que não existe para o país na área da Saúde”, disse, numa frase que acumulou verbos como se a solução dependesse de uma ação multifacetada.
Para Cortes, esse alento pode ser encontrado na herança deixada pelos fundadores do SNS. Lembrou os “colegas mais velhos” que, com parcos recursos, ergueram um sistema que foi crucial não só para a saúde, mas para a coesão do país e para a própria democracia. Foi um apelo emocional, uma tentativa de ligar o presente a um legado de conquistas. A chama do SNS, defendeu, precisa de ser reavivada por esse mesmo sentido de missão.
O congresso de dois dias, que juntou outros profissionais de saúde, serviu-lhe de prova de que os médicos “não estão orgulhosamente sozinhos” nesta empreitada. No final, a convicção que deixou é a de que a Ordem quer, de forma “intrínseca” e “sentida”, meter ombros ao problema. “Temos a obrigação de contribuir”, rematou, deixando claro que, embora a resposta final caiba aos políticos, o contributo da classe médica é não só desejado como inadiável.
NR/HN/Lusa



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