Marcelo Rebelo de Sousa confessa frustração com persistência da pobreza em Portugal

30 de Novembro 2025

Marcelo Rebelo de Sousa admitiu hoje sentir-se frustrado por a pobreza em Portugal não ter recuado suficientemente, afetando mais de dois milhões de pessoas. As declarações foram feitas durante uma visita ao Banco Alimentar.

O Presidente da República expressou hoje um sentimento de desânimo face à estagnação dos números da pobreza no país, que continuam a afetar mais de dois milhões de pessoas. A declaração foi feita durante uma visita ao Banco Alimentar Contra a Fome, em Lisboa, no arranque da campanha nacional de recolha de alimentos.

Questionado pelos jornalistas sobre se não sentia frustração perante a situação, Marcelo Rebelo de Sousa foi taxativo: “Ah, sim, sinto frustração”. O chefe de Estado traçou um retrato de um problema com mais de meio século, lembrando os esforços sucessivos de vários governos que, nas suas palavras, “fizeram o que puderam, tentaram fazer o que puderam”. Na sua análise, apontou um leque de fatores que concorrem para este cenário persistente, desde as crises internacionais e situações sanitárias, como a pandemia, até ao envelhecimento demográfico, que associou a um empobrecimento da sociedade.

“E nós demos a volta, largamente, como sabem, devido à imigração, mas só demos uma parte”, observou, sublinhando que a reversão não foi completa. Para ilustrar o ponto, referiu-se aos números recentes de partos em unidades hospitalares, onde os nascimentos de população imigrante registam um aumento acelerado. “São mais jovens, são mais numerosos e estão por essa via a aguentar, parcialmente, a situação da população portuguesa”, explicou.

No início dos seus comentários, Marcelo Rebelo de Sousa tinha já dirigido um agradecimento à Federação dos Bancos Alimentares pelos “muitos, muitos, muitos anos de serviço ao país”. Foi então que, num tom mais pessoal, deixou transparecer a sua mágoa. “E se há tristeza que eu tenho no coração é porque a pobreza não diminuiu aquilo que devia ter diminuído”, salientou. A dimensão do problema ficou clara quando referiu que, dos dois milhões de portugueses afetados, cerca de 400 mil dependem do apoio destas instituições. Apesar do cenário sombrio, registou com alegria a presença de “mais voluntários, mais jovens” na iniciativa.

A campanha de recolha de alimentos conta com a participação de mais de 42 mil voluntários em 2.000 lojas de todo o país, apelando à doação de produtos não perecíveis. A ação decorre até dia 30 de novembro nas superfícies comerciais e prolonga-se online até 07 de dezembro através do site www.alimentestaideia.pt.

NR/HN/Lusa

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