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A teia do contrabando de álcool no Irão voltou a cobrar vidas. Pelo menos quatro pessoas morreram intoxicadas após consumir bebidas alcoólicas artesanais na cidade de Iranshahr, no sudeste do país. A agência de notícias estatal IRNA, citando um médico local, avançou que o desfecho fatal ocorreu nas últimas 24 horas, deixando ainda cinco intoxicados. Dois dos envenenados encontram-se em estado considerado grave, sob vigilância nos cuidados intensivos.
Em resposta ao incidente, as forças policiais de Iranshahr mobilizaram-se e, de acordo com a mesma fonte, conseguiram identificar e deter três dos supostos distribuidores da bebida letal. O caso expõe mais uma faceta do mercado subterrâneo que prospera à sombra da lei. A venda e o consumo de bebidas alcoólicas são estritamente proibidos pela República Islâmica, uma regra que, no entanto, não extinguiu a procura. Os meios de comunicação sociais dão conta, com uma cadência perturbadora, de casos de intoxicação grave ligados a produtos de contrabando, muitas vezes fabricados sem qualquer controlo sanitário.
A proibição não é absoluta, contemplando uma exceção para as minorias religiosas não muçulmanas – cristãos, judeus e zoroastrianos – que podem consumir álcool, mas apenas no espaço privado. Para a generalidade da população, o acesso a estas bebidas faz-se por canais ilegais, um negócio arriscado que por vezes termina em tragédia. O ambiente em torno desta questão permanece tenso. Ainda no passado domingo, um jogador de futebol de um dos clubes mais populares foi suspenso após a circulação de um vídeo onde surgia a segurar uma bebida alcoólica.
A justiça iraniana tem respondido com dureza a estes casos, especialmente quando envolvem mortes. Num precedente gravíssimo, em outubro de 2024, quatro indivíduos foram executados por estarem condenados pela venda de álcool adulterado, um crime que causou a morte de vários consumidores. Este último episódio em Iranshahr, uma cidade na província pobre do Sistão-Baluchistão, reacende o debate sobre a eficácia da proibição e os perigos de um mercado não regulado que continua a ceifar vidas. As autoridades detiveram vendedores, mas a procura, silenciosa, persiste.
NR/HN/Lusa



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