DGS afasta acusações de discriminação após polémica com imagem da ONUSIDA

1 de Dezembro 2025

A Direção-Geral da Saúde substituiu uma imagem partilhada nas redes sociais após críticas. A ilustração, original da ONUSIDA, mostra três pessoas negras e gerou desconforto entre alguns utilizadores

A Direção-Geral da Saúde (DGS) veio a terreiro negar qualquer intenção discriminatória, depois de uma publicação sua nas redes sociais ter sido alvo de comentários menos favoráveis. Tudo se passou no âmbito do Dia Mundial da Luta Contra a Sida. A autoridade de saúde limitou-se, diz, a republicar material gráfico fornecido pela ONUSIDA, a agência das Nações Unidas para esta área. A imagem em causa apresenta três figuras de etnia negra com o braço erguido, acompanhada da legenda “A Sida não acabou”.

Perante a onda de desagrado que se formou online, a DGS acabou por trocar a ilustração inicial pelo ‘post’ original da organização internacional, que mantém a mensagem em inglês: “Aids is not over”. Em comunicado enviado à Lusa, a instituição liderada por Rita Sá Machado frisou que a alteração visou “contribuir para a perceção da mensagem e da sua origem”. A mudança, garante, foi feita “sempre em pleno respeito pelos direitos humanos”. A mesma nota sublinha o compromisso com a Carta dos Direitos Fundamentais da UE, rejeitando discriminação com base em sexo, raça, cor, origem étnica ou social.

A explicação oficial é clara: a campanha da ONUSIDA pretende simplesmente alertar que a epidemia de VIH/sida ainda não está erradicada e que há um longo caminho a percorrer até 2030, meta estabelecida nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. A DGS assegura que a imagem foi partilhada previamente com parceiros comunitários e que alguns deles também a divulgaram. O episódio, contudo, deixou um rasto de discussão sobre a forma como as mensagens de saúde pública são recebidas e interpretadas pelo público, um terreno movediço onde nem sempre as intenções coincidem com as perceções. A autoridade sanitária não comentou diretamente a natureza específica das críticas, optando por um desvio amplo para os princípios gerais.

O documento da DGS está disponível para consulta aqui, e o material da ONUSIDA pode ser visto neste link. A sensibilidade em torno da representação visual em campanhas públicas mostra-se, assim, uma matéria tão atual quanto complexa, escapando muitas vezes ao controlo rígido das instituições. Fica no ar a interrogação sobre se o gesto de substituir a peça gráfica acalmará os ânimos ou se, pelo contrário, alimentará um debate mais prolongado sobre escolhas e sensibilidades.

NR/HN/Lusa

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