Chega interpela Governo sobre surto de língua azul no Alentejo e pede compensações

2 de Dezembro 2025

O partido Chega questionou o ministro da Agricultura sobre os "graves prejuízos" causados pelo vírus da língua azul nos rebanhos alentejanos. Os deputados pedem uma avaliação epidemiológica urgente e mecanismos de apoio para os produtores afetados.

Num tom de crescente alarme, o Chega dirigiu-se esta semana ao Governo para exigir respostas sobre o avanço da febre catarral ovina, a língua azul, no sul do país. A inquietação, plasmada numa pergunta subscrita por seis deputados da bancada – Pedro Pinto, Marta Martins da Silva, João Paulo Graça, João Lopes Aleixo, Ana Martins e Ricardo Moreira –, centra-se nos estragos provocados pela doença em explorações de ovinos do Alentejo, uma região onde a pecuária é coluna vertebral de muitas comunidades.

Os parlamentares, na iniciativa consultada pela Lusa no portal da Assembleia da República, não poupam adjetivos ao descrever a situação, referindo “graves prejuízos” em zonas que até agora tinham escapado ao pior da enfermidade. A mortalidade, sustentam, triplicou em relação ao que seria expectável para a época. O coração do problema bate, segundo o documento, no Campo Branco, uma área que abrange concelhos como Castro Verde, Almodôvar, Ourique e parte de Aljustrel, todos no distrito de Beja. Ali, o número de explorações atingidas já ultrapassaria as duzentas e quarenta.

É um cenário que teima em agravar-se, contam, apesar das campanhas de vacinação em curso. Os resultados, admitem com franqueza, “não corresponderam ao esperado”. E assim se chegou a um ponto em que, estimam, “milhares de animais” estão agora infetados com o serotipo 3 do vírus, uma estirpe que tem mostrado uma tenacidade preocupante. No rasto da doença, ficam os criadores, muitos deles a braços com prejuízos avultados e a clamar por ajuda estatal.

Na sua interpelação ao ministro da Agricultura e Pescas, José Manuel Fernandes, os deputados do Chega desdobram-se em perguntas concretas. Primeiro, querem uma fotografia atualizada e sem retoques da situação epidemiológica nacional, com números sobre mortalidade real, explorações afetadas e a circulação dos vários serotipos. Depois, interrogam-se sobre a eficácia das vacinas aplicadas e as medidas para garantir que os criadores têm acesso a imunizantes adequados contra as estirpes em circulação.

Mas há uma questão, quase última, que condensa a urgência política do assunto: “Está o Governo disponível para adotar, de imediato, um mecanismo de compensação pela morte de ovinos provocada pela doença?”. É um ponto que ecoa antigas reclamações do setor. Já em outubro, a Federação das Associações de Agricultores do Baixo Alentejo (FAABA) tinha enviado uma carta ao ministério a reivindicar medidas de apoio. E, em novembro, foi a vez do deputado socialista eleito por Beja, Pedro do Carmo, pedir auxílio para os produtores da região.

A língua azul, importa recordar, é uma doença viral que afeta ruminantes, sobretudo ovinos, e não representa perigo para a saúde pública. Mas, para as economias locais do interior alentejano, a sua progressão pode configurar-se como uma pequena catástrofe, lenta e silenciosa. O Chega, através desta iniciativa, tenta agora forçar o executivo a dar-lhe a atenção que, no seu entender, a crise merece. Aguarda-se, pois, a resposta de São Bento.

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