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O peso da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) no quotidiano profissional é mais expressivo do que muitas vezes se imagina. Dados reunidos pela coligação Speak up for COPD indicam que cerca de 40% das pessoas diagnosticadas com esta doença respiratória crónica viram-se obrigadas a cortar no horário de trabalho ou mesmo a abandonar a atividade profissional. Os números ganham especial relevância no contexto do Dia Mundial da DPOC, assinalado a 16 de novembro, que este ano pretende sublinhar o subdiagnóstico que ainda caracteriza a patologia em países como Portugal.
A DPOC, terceira causa de morte a nível mundial, afeta entre 213 e 390 milhões de pessoas. Em Portugal, um estudo realizado na região de Lisboa há mais de uma década já apontava para uma prevalência de 14,2% entre adultos com mais de 40 anos – aproximadamente uma em cada sete pessoas. Mas o cenário atual continua marcado por diagnósticos tardios, o que agrava limitações respiratórias, compromete a autonomia e aumenta a probabilidade de internamentos hospitalares.
“A DPOC é silenciosa numa fase inicial, mas devastadora quando se revela”, refere José Albino, presidente da Associação RESPIRA. Na sua perspetiva, o exame que confirma a doença, a espirometria, continua a não ser realizado de forma sistemática. “Temos a doença, temos os meios, mas falta organização”, critica, acrescentando que a patologia “rouba muito mais do que o fôlego” – afeta energia, autonomia e tempo de vida.
O impacto económico associado à DPOC também é considerável. Projeções recentes sugerem que, sem estratégias nacionais robustas de prevenção e gestão, os custos acumulados da doença podem ultrapassar os 3,5 mil milhões de euros entre 2020 e 2050. Este valor reflete não só despesas diretas com saúde, mas também perdas de produtividade e reformas antecipadas.
A nível clínico, a qualidade de vida dos doentes é frequentemente comprometida. Dados apresentados no Congresso WONCA 2025, no âmbito do Estudo Epi-Asthma, demonstram que a dispneia grave e a presença de múltiplas doenças concomitantes são determinantes essenciais na perda de bem-estar, com reflexos mensuráveis em escalas como o EQ-5D. Essa redução na qualidade de vida funciona, por sua vez, como um preditor relevante de maior morbilidade e mortalidade.
Para melhor caracterizar a realidade portuguesa, a AstraZeneca reforçou a colaboração com a Sociedade Portuguesa de Pneumologia no desenvolvimento do estudo COPD-Link. A iniciativa pretende traçar o perfil dos doentes, as trajetórias clínicas e os padrões de tratamento no país. “Estamos comprometidos em gerar mais evidência sobre a DPOC, com o objetivo de contribuir para um diagnóstico mais precoce e um melhor acompanhamento”, sublinha Hugo Martinho, Diretor Médico da AstraZeneca Portugal.
Apesar de não ter cura, a DPOC pode ser controlada através de diagnóstico atempado, cessação tabágica e seguimento médico regular. No entanto, a falta de rastreio generalizado mantém-se como um obstáculo. “A DPOC não é invisível. Apenas não está a ser procurada da forma certa”, insiste José Albino, lembrando que “o ataque do pulmão aumenta o risco de ataque do coração”.
PR/HN



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