Diferença de género nas pensões mantém-se elevada, mas em trajetória descendente, revela OCDE

3 de Dezembro 2025

As mulheres recebem, em média, pensões cerca de um quarto mais baixas do que os homens nos países da OCDE, uma disparidade que tem vindo a diminuir, mas que permanece como um desafio central

A desigualdade na reforma tem rosto de mulher, confirma a OCDE. Em 2024, a diferença média entre as pensões de homens e mulheres (gender pension gap) situava-se nos 23% nos países da organização. Isto significa que, por cada euro ou dólar recebido por um homem em pensão, uma mulher recebe, em média, apenas 77 cêntimos. A disparade varia significativamente entre países: é inferior a 10% na Chéquia, Estónia, Islândia, Eslováquia e Eslovénia, mas sobe para mais de 35% na Áustria, México, Países Baixos e Reino Unido, atingindo um pico de 47% no Japão.

Há, contudo, um sinal positivo. Esta lacuna tem vindo a estreitar-se de forma consistente, descendo de 28% em 2007 para os atuais 23%. Para Stefano Scarpetta, Diretor da Direção do Emprego, Trabalho e Assuntos Sociais da OCDE, a razão fundamental reside no mercado de trabalho. “As diferenças de género no emprego, nas horas trabalhadas e nos salários horários contribuem igualmente para as disparidades nos ganhos ao longo da vida – cada um contribui com cerca de um terço do total”, escreve no editorial do relatório. Estas diferenças nos rendimentos vitalícios, que atingem 35% em média, são o motor principal da diferença nas pensões. Scarpetta argumenta que, por melhor desenhados que estejam, os sistemas de pensões por si só não conseguirão eliminar a desvantagem que as mulheres enfrentam na reforma, sendo urgente atuar nos mercados de trabalho e na partilha do trabalho não remunerado em casa.

NR/HN/OCDE

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

Portugal, no documento “O Estado da Saúde Cardiovascular na União Europeia”: Baixa Mortalidade, mas Fatores de Risco Persistem

O relatório da OCDE “O Estado da Saúde Cardiovascular na UE”, tornado público hoje, analisa os padrões da doença na Europa. Portugal surge com uma mortalidade por doenças circulatórias das mais baixas do continente, um sucesso que se manteve mesmo durante a pandemia. No entanto, o país ainda enfrenta desafios significativos, como a gestão da diabetes, o consumo de álcool e a mortalidade prematura, especialmente entre os homens

Doenças cardiovasculares custam 282 mil milhões de euros à União Europeia

A União Europeia enfrenta um desafio significativo com as doenças cardiovasculares (DCV), que continuam a ser a principal causa de morte e incapacidade no território comunitário. Um relatório recentemente divulgado, antecedendo o lançamento do Plano Corações Seguros, revela que estas doenças são responsáveis por um terço de todas as mortes anuais na UE e afetam mais de 60 milhões de pessoas.

Universidade Católica Portuguesa lança curso pioneiro em Medicina do Sono Pediátrico

A Faculdade de Medicina da Universidade Católica Portuguesa (FM-UCP) vai iniciar a primeira edição de um curso avançado dedicado ao estudo e prática clínica do sono na infância, uma formação pioneira em Portugal. O curso, que arranca a 16 de janeiro, será ministrado em formato b-learning e em inglês, com um carácter internacional.

Ordem dos Nutricionistas cria Fundo de Apoio à Formação para profissionais desempregados

A Ordem dos Nutricionistas lançou, pela primeira vez, um Fundo de Apoio à Formação destinado a apoiar os profissionais de nutrição que se encontrem em situação de desemprego. Esta iniciativa surge no âmbito do Dia do Nutricionista, celebrado a 14 de dezembro, e tem como objetivo possibilitar a aquisição de ferramentas que promovam uma prática profissional atualizada e baseada na evidência científica.

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights