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A desigualdade na reforma tem rosto de mulher, confirma a OCDE. Em 2024, a diferença média entre as pensões de homens e mulheres (gender pension gap) situava-se nos 23% nos países da organização. Isto significa que, por cada euro ou dólar recebido por um homem em pensão, uma mulher recebe, em média, apenas 77 cêntimos. A disparade varia significativamente entre países: é inferior a 10% na Chéquia, Estónia, Islândia, Eslováquia e Eslovénia, mas sobe para mais de 35% na Áustria, México, Países Baixos e Reino Unido, atingindo um pico de 47% no Japão.
Há, contudo, um sinal positivo. Esta lacuna tem vindo a estreitar-se de forma consistente, descendo de 28% em 2007 para os atuais 23%. Para Stefano Scarpetta, Diretor da Direção do Emprego, Trabalho e Assuntos Sociais da OCDE, a razão fundamental reside no mercado de trabalho. “As diferenças de género no emprego, nas horas trabalhadas e nos salários horários contribuem igualmente para as disparidades nos ganhos ao longo da vida – cada um contribui com cerca de um terço do total”, escreve no editorial do relatório. Estas diferenças nos rendimentos vitalícios, que atingem 35% em média, são o motor principal da diferença nas pensões. Scarpetta argumenta que, por melhor desenhados que estejam, os sistemas de pensões por si só não conseguirão eliminar a desvantagem que as mulheres enfrentam na reforma, sendo urgente atuar nos mercados de trabalho e na partilha do trabalho não remunerado em casa.
NR/HN/OCDE



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