Marcelo Rebelo de Sousa elogia funcionamento do SNS após cirurgia no Porto

3 de Dezembro 2025

O Presidente da República recebeu alta do Hospital de São João, no Porto, depois de ser operado a uma hérnia encarcerada. Marcelo Rebelo de Sousa enalteceu o trabalho dos profissionais e a função "inestimável" do SNS, que considerou uma conquista da democracia a necessitar de apoio permanente.

Saindo do hospital por volta das 13h00, um misto de alívio e fadiga marcava o seu rosto. Marcelo Rebelo de Sousa dirigiu-se aos jornalistas no hall da instituição, agradecendo de forma veemente o tratamento recebido. “O SNS, uma vez mais, está de parabéns”, afirmou, fundindo deliberadamente as figuras do doente e do chefe de Estado. Não era, contudo, um discurso meramente protocolar. Havia um tom pessoal, quase íntimo, quando descreveu a sua condição como “congénita e de família”, um “tropismo para hérnias intestinais” que já o levara ao bloco operatório por três vezes antes desta, agora inesperada.

Acompanhado pela presidente da ULS São João, Maria João Baptista, e pelo chefe da sua Casa Civil, Fernando Frutuoso de Melo, o Presidente não esqueceu a dimensão humana daquela “cidade” de 8.500 trabalhadores. Falou da biblioteca, das selfies tiradas com o pessoal, do ambiente que classificou de competente e acolhedor. A sua estadia, iniciada na segunda-feira após uma indisposição no aeroporto do Porto, foi pontuada por visitas de figuras como o primeiro-ministro Luís Montenegro, o presidente da Assembleia da República José Pedro Aguiar-Branco, ou o secretário-geral do PS José Luís Carneiro.

Apesar do momento, o calendário político não sai da sua mente. Confirmou o adiamento de deslocações a Espanha e ao Vaticano, mas sublinhou, com um pragmatismo característico, que “as instituições continuam a funcionar”. Referiu o Orçamento do Estado pendente e os diplomas à espera de análise, traçando um mapa mental do trabalho que o espera nos derradeiros três meses do seu mandato. Prometeu, no entanto, acatar as indicações médicas e guardar um período de repouso até ao final do ano, evocando a convalescença mais longa que teve em 2018.

Antes de entrar no carro rumo a Lisboa, num gesto que parecia encerrar o capítulo portuense, recebeu um livro e flores das mãos do vice-presidente da Liga dos Bombeiros. Teve ainda uma palavra, súbita e emocionada, para as jornalistas Constança Cunha e Sá e Olga Cardoso, recentemente falecidas — um aparte que revelava o peso dessas perdas.

A operação, realizada na noite de segunda-feira, corrigiu uma hérnia que comprometia a irrigação de uma parte do intestino. Maria João Baptista explicara, num ponto de situação, que se tratava de uma área frágil da parede abdominal. O mal-estar inicial surgira após as cerimónias do Dia da Restauração, em Lisboa, e do funeral do antigo presidente da Mota-Engil, António Mota, precipitando a ida urgente para o Porto.

NR/HN/Lusa

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