ANAUDI avisa que setor convencionado de imagiologia pode colapsar e afectar acesso no SNS

4 de Dezembro 2025

A Associação Nacional de Unidades de Diagnóstico por Imagem alerta que a rede convencionada, que realizou 6,7 milhões de exames ao abrigo do SNS em 2024, enfrenta um ponto de rutura devido a tabelas desactualizadas, falta de profissionais e regras contratuais limitadas

A ANAUDI — Associação Nacional de Unidades de Diagnóstico por Imagem — colocou um aviso sério sobre o risco de colapso do setor convencionado de imagiologia, que assegurou no ano passado 9,7 milhões de exames, dos quais cerca de 6,7 milhões através de convenções com o Serviço Nacional de Saúde. A associação, que reagiu também ao recente Alerta de Supervisão da Entidade Reguladora da Saúde, garante que as unidades convencionadas cumprem os princípios de equidade e universalidade, mas lembra que as diferenças nos tempos de resposta não resultam de discriminação, antes de “limitações estruturais e contratuais impostas pelo próprio Estado”.

Entre esses constrangimentos estão a capacidade contratada insuficiente, horários distintos por financiador, actos excluídos da tabela convencionada e uma falta gritante de recursos humanos especializados, agravada por remunerações pouco competitivas. Eduardo Moniz, presidente da ANAUDI, sublinha que “confundir limitações contratuais com discriminação é injusto e desvirtua o problema real”. Moniz recorda que o sector trabalha há mais de 12 anos com tabelas de actos desactualizadas, definidas unilateralmente pelo Estado, em condições cada vez mais exigentes e com dificuldades crescentes para reter técnicos e médicos.

A pressão sobre os profissionais, a perda de cobertura territorial e a redução progressiva da capacidade instalada colocam, segundo a associação, a rede convencionada num ponto crítico. Sem uma intervenção urgente, os utentes do SNS poderão enfrentar atrasos ainda maiores nos exames, com impacto directo no diagnóstico precoce, no seguimento de doenças como a oncologia e nos rastreios.

A ANAUDI apela por isso a que o debate público se centre nos factores estruturais que ameaçam a sustentabilidade da rede convencionada, essencial para garantir diagnósticos em tempo clinicamente aceitável, assegurar rastreios, evitar desigualdades territoriais e socioeconómicas e proteger a liberdade de escolha dos utentes. A associação afirma manter total disponibilidade para colaborar com as autoridades públicas na identificação de soluções, tanto imediatas como estruturais, que permitam reforçar a capacidade contratada, actualizar as tabelas e proteger o acesso dos utentes do SNS a exames indispensáveis.

Fundada em 1996, a ANAUDI representa unidades de diagnóstico por imagem, designadamente nas áreas da radiologia e da medicina nuclear.

PR/HN

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