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O peditório nacional da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) rendeu este ano 2.040.220 euros, um resultado que surpreendeu pela positiva num contexto económico desfavorável. A quantia, superior em 6,4% à angariada em 2024, resulta da mobilização de aproximadamente 20 mil voluntários, que entre 30 de outubro e 2 de novembro estiveram presentes em igrejas, zonas comerciais e ruas de todo o país.
Em declarações à Lusa, o presidente da LPCC, Vítor Veloso, não escondeu uma certa emoção ao comentar o feito. “Foi extremamente bom, não só devido à situação económica e social do país”, admitiu, sublinhando que a resposta popular reflete o reconhecimento pelo trabalho da instituição. O dirigente sabe, contudo, que este impulso de generosidade chega num momento de aperto generalizado. A inflação, o custo de vida, uma certa fadiga social – nada disso travou os donativos.
O montante agora apurado terá, nas palavras de Veloso, um “impacto muito positivo” concreto. No anterior peditório, que permitiu angariar 1.916.943 euros, o dinheiro foi canalizado para o apoio directo a 22.965 doentes. Compra de medicamentos não comparticipados, próteses, ajudas para transportes e até para despesas básicas como rendas de casa, água, luz e cabazes alimentares. São estas necessidades quotidianas, muitas vezes invisíveis, que a LPCC tenta colmatar. “Numa casa em que o rendimento é só de uma pessoa e ela fica de baixa, infelizmente só pagam 60%”, explicou o presidente, descrevendo o abismo financeiro que muitas famílias enfrentam. Sem este tipo de apoio, diz, “a parte económica e social dessa família seria destruída”.
E os pedidos de ajuda, confirma Veloso, não param de aumentar. A justificação é ampla e conhecida: a economia global está sob pressão, a Europa não escapa e Portugal, especificamente, ainda arrasta o peso de “dois milhões de portugueses no limiar da pobreza”. Esta campanha anual é, por isso, um dos esteios financeiros que permite à Liga manter uma rede de suporte que vai muito além da mera assistência económica.
A instituição, cuja missão principal muitos associam apenas à prevenção, tem uma actividade mais vasta. Rastreios oncológicos – mama, pele, cavidade oral –, bolsas para investigação, formação e consultas de psico-oncologia abertas a doentes, familiares e até profissionais de saúde fazem parte do seu ecossistema de intervenção.
No final, tudo se conjuga: a generosidade anónima de quem deixa uma moeda no mealheiro, a dedicação dos milhares de voluntários que, “em tempos difíceis e até com chuva”, estenderam a mão, e a estrutura da LPCC que canaliza esses recursos. Veloso não tem dúvidas em classificá-la como uma “actividade de solidariedade muito boa e fantástica”. O adjectivo, que lhe escapa, talvez seja o único indulgente num balanço que, de resto, se mede em números concretos e em vidas com um pouco mais de alento.
NR/HN/Lusa



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