Um em cada sete portugueses com obesidade não identifica a doença, revela estudo

4 de Dezembro 2025

A apresentação do Saúde que Conta 2025, marcada para 10 de dezembro em Lisboa, vai divulgar dados inquietantes: cerca de 14% dos portugueses com obesidade não a reconhece como doença. O evento junta sociedades médicas e associações de doentes

Um em cada sete portugueses a quem foi diagnosticada obesidade não identifica a sua condição como doença. Este é um dos dados mais impactantes que vai ser desdobrado na apresentação do estudo “Saúde que Conta 2025”, organizada pela Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade NOVA de Lisboa (ENSP NOVA) no próximo dia 10 de dezembro, no WPP Campus, em Lisboa.

O trabalho, que desde 2011 analisa o papel do cidadão na gestão da sua saúde, focou-se este ano na relação, por vezes tortuosa, entre literacia e obesidade. Os resultados preliminares pintam um retrato de contrastes. Se por um lado há uma consciência global sobre o problema, persistem, no terreno, falhas de conhecimento gritantes e baixos níveis de literacia específica, precisamente entre quem mais dela necessitaria.

A investigadora principal Ana Rita Pedro terá a seu cargo a apresentação pormenorizada dos números, pelas 10h15. Mas o cerne do debate está agendado para meia hora depois, numa mesa-redonda intitulada “Da Consciência à Ação: Mudar a Conversa sobre a Obesidade em Portugal”. O jornalista João Moleira moderará um painel que promete ser vivo, reunindo presidentes e representantes de algumas das principais entidades do setor.

Carlos Oliveira, da Associação Portuguesa de Pessoas que Vivem com Obesidade (ADEXO), trará inevitavelmente para a mesa a perspetiva do doente e o peso do estigma social. Do lado clínico, estarão presentes José Silva Nunes, da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade (SPEO), e Nuno Jacinto, da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMFG), especialidades que lidam diariamente com a complexidade do tratamento. A visão da saúde pública será assegurada por Daniel Resendes, da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública (ANMSP), e por um representante da divisão de Literacia, Saúde e Bem-estar da Direção-Geral da Saúde (DGS). A Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM) completará o leque.

Espera-se que a discussão vá além do diagnóstico frio dos números e aborde os caminhos práticos — ou os seus obstáculos. A necessidade de campanhas de educação que realmente mudem percepções, a urgência de combater um estigma que muitas vezes paralisa, e a forma como o sistema de saúde pode responder melhor serão, com certeza, tópicos quentes em cima da mesa. O dado sobre o não reconhecimento da doença por parte de tantos portugueses serve como um alerta claro: há um fosso entre a realidade clínica e a perceção individual que precisa de ser colmatado.

O evento abre com boas-vindas de Ana Escoval, da ENSP NOVA, e encerra com Alicia de Castro, diretora-geral da Lilly Portugal. A sessão está marcada para começar às 9h30, com receção dos convidados.

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