Bloqueios em urgências obstétricas durante o fim de semana expõem carências

5 de Dezembro 2025

Quatro serviços de urgência de obstetrícia e ginecologia estarão inacessíveis no sábado e três no domingo. Várias outras unidades funcionarão com condicionantes, num cenário que as autoridades atribuem à falta de especialistas

O Serviço Nacional de Saúde (SNS) enfrenta mais um fim de semana com restrições significativas nos cuidados às grávidas. De acordo com as escalas publicadas no seu portal oficial, consultadas pela Lusa ao meio-dia desta sexta-feira, as utentes deparar-se-ão com uma rede de emergência obstétrica e ginecologica particularmente fragilizada.

No sábado, dia 6 de dezembro, as portas estarão completamente fechadas em quatro hospitais: Portimão, no Algarve, o Hospital do Barreiro e o Centro Hospitalar de Setúbal, na região de Lisboa e Vale do Tejo, e ainda em Braga, no norte do país. A situação alivia ligeiramente no domingo, mas mantém-se crítica, com os serviços de Portimão, Barreiro e agora também o de Vila Franca de Xira impedidos de receber doentes.

Para além dos encerramentos totais, um conjunto alargado de unidades verá a sua atividade severamente limitada, aceitando apenas mulheres encaminhadas pelo Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do INEM. É o caso, no sábado, dos hospitais de Braga (que, curiosamente, aparece tanto na lista de encerrados como na de condicionados para o mesmo dia, sugerindo possíveis ajustes de último hora ou setores distintos), Vila Franca de Xira, Aveiro, Santarém, São Francisco Xavier, em Lisboa, e Leiria. No domingo, Braga, Santarém, Aveiro, Leiria e São Francisco Xavier mantêm este regime de funcionamento minimalista.

O panorama complica-se ainda mais se considerarmos a pediatria. Durante todo o fim de semana, os serviços de urgência pediátrica dos hospitais de Vila Franca de Xira, de Esposende e da Beatriz Ângelo, em Loures, seguem o mesmo protocolo restritivo, filtrando o acesso apenas através do INEM.

As escalas, que são dinâmicas e podem sofrer alterações, indicavam, naquele momento, a abertura de 132 serviços de urgência gerais no sábado e 133 no domingo, a que se somam as cerca de duas dezenas e meia de unidades integradas no projeto-piloto que exige contacto prévio com a Linha SNS 24.

A justificação para estes constrangimentos recorrentes é sobejamente conhecida e volta a ser invocada: a penúria de médicos especialistas, um mal crónico que teima em impossibilitar a cobertura total das escalas, especialmente em períodos noturnos e de fim de semana. O problema não é novo, mas a sua recorrência e a geografia dos encerramentos – que desta vez afetam sobretudo o litoral centro e sul – continuam a gerar incerteza e apreensão junto das populações.

Face a este cenário, a recomendação oficial mantém-se inalterada. As autoridades de saúde insistem na necessidade de os cidadãos contactarem primeiramente a Linha SNS 24 (808 24 24 24), evitando deslocações precipitadas a serviços que podem estar encerrados ou sobrecarregados, num mecanismo que tenta, com dificuldade, gerir a escassez e direcionar os casos verdadeiramente urgentes.

NR/HN/Lusa

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