Cereais do pequeno-almoço com níveis elevados de químico “eterno” enquanto especialistas se preparam para debater gestão de crises na saúde

5 de Dezembro 2025

Um estudo europeu revela contaminação generalizada por PFAS em alimentos básicos, no mesmo dia em que a Sociedade Portuguesa de Ortopedia anuncia um webinar para especialistas partilharem estratégias sobre como lidar com emergências hospitalares

Os cereais de pequeno-almoço que chegam às mesas europeias estão contaminados com níveis alarmantes de ácido trifluoroacético (TFA), um dos persistentes “químicos eternos”. A descoberta, divulgada hoje pela Rede Europeia de Ação contra os Pesticidas (PAN Europe), surge a partir da análise a 65 produtos comuns, desde massas a pães, adquiridos em 16 países. Os cereais matinais lideram a tabela da contaminação, apresentando concentrações médias de TFA cem vezes superiores às encontradas na água da torneira.

Salomé Roynel, responsável da PAN Europe, não poupa nas palavras. “Todos estão expostos”, afirma, num comunicado citado pela EFE, sublinhando a “necessidade urgente” de travar a entrada dos pesticidas PFAS na cadeia alimentar. Estas substâncias, que teimam em não se decompor no ambiente, foram detetadas em 81,5% das amostras. Um cereal de pequeno-almoço irlandês, um pão integral belga, outro alemão e uma baguete francesa figuram no topo da lista negra, mas a presença do TFA espreita numa variedade inquietante de produtos.

O problema, explica a organização, é que este composto hidrossolúvel é um produto da degradação dos PFAS e dos gases fluorados. Acumula-se nos solos e na água, é absorvido pelas plantas e acaba por se instalar nos alimentos. A sua persistência é só uma parte da questão. Estudos da indústria, refere a PAN Europe, associam-no a toxicidade reprodutiva, a possíveis efeitos na tiroide e no fígado e até à redução da qualidade do esperma. “Não podemos expor as crianças a substâncias químicas tóxicas para a reprodução. Isto exige uma ação imediata”, insiste a organização, que apela a uma proibição total dos pesticidas PFAS e a uma monitorização rigorosa dos alimentos.

Enquanto este alerta sobre uma crise silenciosa na segurança alimentar ecoa, em Portugal a comunidade médica prepara-se para discutir a gestão de crises de outro tipo, as que irrompem nos hospitais. A Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia (SPOT) marca para 11 de dezembro um webinar dedicado precisamente às boas práticas na gestão de crises em contexto hospitalar e de emergência.

Paulo Felicíssimo, presidente da SPOT, descreve a iniciativa como uma “oportunidade privilegiada” para aprofundar conhecimentos num tema de importância crescente. O evento, organizado pelo Grupo de Estudo de Modelos de Organização e Gestão (GEMOG) da sociedade, vai juntar especialistas para uma conversa de duas horas, via Zoom. A moderação caberá ao Prof. Dr. Pedro Dantas e ao Dr. Acácio Ramos, que também abordará os fundamentos da gestão de crise em saúde.

O leque de oradores inclui o Dr. Cristiano Gante, que falará sobre comunicação sob pressão, e a Dr.ª Ana Correia, que se debruçará sobre a coordenação com instituições como o INEM. A realidade crua de uma crise virá depois, através do estudo de caso que o Dr. António Rebelo apresentará sobre o incêndio no Hospital de Ponta Delgada e o seu impacto no serviço de Ortopedia. Um debate final promete fechar a sessão com troca de ideias. A participação é gratuita, mas sujeita a inscrição prévia através do link: https://zoom.us/webinar/register/WN_ghFdyOKHRZqWPKg9Aiu6Ew.

Mais informações sobre a SPOT, fundada em 1950, podem ser consultadas em https://spot.pt/.

Palavras-chave: PFAS, químicos eternos, contaminação alimentar, cereais, segurança alimentar, PAN Europe, SPOT, webinar, gestão de crise, hospitalar, emergência, ortopedia.

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