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A saúde íntima da mulher vai ocupar o centro de um novo ciclo formativo destinado a farmacêuticos que exercem no terreno, em contacto direto com o público. A iniciativa parte da APFPC – Associação Portuguesa de Farmacêuticos para a Comunidade, com o apoio financeiro e logístico da empresa Pharma Kern, e arranca já no início do próximo ano. Batizado de “Saúde Feminina – A Intervenção do Farmacêutico Comunitário”, o programa promete uma abordagem prática e atualizada sobre problemas frequentes, mas muitas vezes silenciados por estigma ou desconhecimento.
O primeiro módulo, dedicado especificamente a vulvovaginites e infeções ginecológicas, está marcado para 15 de janeiro de 2026. Funcionará como uma espécie de guia para descodificar os diferentes tipos de corrimento, seus significados clínicos e possíveis abordagens. A sessão inicial, que se realizará online através da plataforma Teams no período pós-laboral, pretende ir além da mera atualização científica. “Queremos dotar os colegas de ferramentas concretas para intervir, apoiar e fazer um seguimento pró-ativo das utentes, tanto em casos agudos como nos teimosamente recorrentes”, antecipa uma das porta-vozes da organização.
A condução dos trabalhos estará a cargo de dois especialistas com percursos distintos mas complementares. Ana Isabel Ferreira, farmacêutica conhecida pelo projeto “Farmacêutica da Mulher”, alia a experiência comunitária a uma comunicação ampla sobre estes temas. Já Jorge Ferreira, para além da mesma profissão de base, detém um mestrado em Medicina Reprodutiva e Sexual, com um foco particular em infertilidade e Procriação Medicamente Assistida (PMA). Esta dupla assegurará os quatro módulos independentes previstos, que se desenrolarão ao longo de todo o ano de 2026.
Depois do arranque em janeiro e fevereiro com as infeções, o curso prossegue em abril com um bloco dedicado à Menopausa. O outono trará o módulo sobre Ciclo Menstrual e (In)Fertilidade, em setembro ou outubro, fechando com a Contraceção no mês de novembro. Os interessados podem inscrever-se em módulos avulsos, conforme a sua necessidade ou interesse específico, sendo que uma inscrição no curso completo oferece um desconto considerável.
Os valores praticados refletem a intenção de privilegiar os associados da APFPC. Para sócios, cada módulo custará 30 euros, enquanto para não-sócios o preço sobe para 100 euros. A inscrição nos quatro blocos fica em 120 euros e 350 euros, respetivamente. As vagas, garantem os organizadores, são limitadas pela natureza prática e interativa que se pretende imprimir às sessões, mesmo sendo realizadas à distância. O prazo para as inscrições no módulo inaugural termina precisamente no dia da primeira sessão, 15 de janeiro, através do formulário disponível online.
O detalhe do conteúdo do primeiro encontro revela a ambição de abranger desde os fundamentos de uma flora vaginal saudável até infeções sexualmente transmissíveis específicas, como a Clamídia. No meio, abordar-se-ão a Candidíase – nas suas formas aguda e recorrente –, a Vaginose Bacteriana e condições menos discutidas como a Vaginose Citolítica. A fisiopatologia e o tratamento farmacológico serão revistos, mas o fio condutor será sempre a ação concreta possível na farmácia comunitária. Este é, aliás, o cerne da proposta formativa: transformar o balcão num local de primeiro acolhimento, desdramatização e encaminhamento seguro para problemas de saúde feminina que beneficiam de intervenção precoce e informada.
Link para inscrição no primeiro módulo: https://forms.gle/8oiqJUMtdfPmLFt69



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