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Portugal encontra-se em fase epidémica de gripe, um patamar atingido com uma antecipação de cerca de um mês face ao habitual. O alerta foi feito esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), que confirmou uma tendência crescente no número de infeções e uma pressão já visível nos serviços hospitalares.
Os dados mais recentes, referentes à semana de 24 a 30 de novembro, não deixam grande margem para dúvidas. A taxa de incidência de infeções respiratórias agudas graves subiu para 10,5 casos por 100 mil habitantes. Esse crescimento foi particularmente acentuado nos extremos da vida – crianças até aos quatro anos e pessoas com 65 ou mais anos. Na mesma semana, as unidades de saúde que reportaram dados admitiram 82 casos graves, dez dos quais necessitaram de internamento em cuidados intensivos. Um pormenor inquietante: todos os doentes em UCI tinham doenças crónicas subjacentes e indicação para vacinação, mas apenas três estavam efetivamente vacinados.
Raquel Guiomar, responsável pelo Laboratório de Referência para o Vírus da Gripe do INSA, falou à Lusa de um aumento claro confirmado laboratorialmente nas últimas duas a três semanas. A época está a ser dominada pelo vírus influenza tipo A, com os subtipos AH1N1 e AH3N2 a circularem em simultâneo, ainda que com um ligeiro predomínio do primeiro. Mas é o AH3N2 que está a suscitar uma atenção mais apertada. Existe um novo subgrupo dentro deste subtipo, designado K, que acumulou mutações e se distingue tanto dos vírus da época anterior como da estirpe contemplada na vacina deste inverno. Este derivado, explicou a investigadora, já representa cerca de 45% dos vírus AH3N2 caracterizados em Portugal e, pelas suas características, pode ganhar ainda mais terreno nas próximas semanas.
“A epidemia chegou três a quatro semanas mais cedo”, admitiu Raquel Guiomar, num cenário que aproxima o país do que se viveu na época 2023-24. O que significa que, muito provavelmente, ainda não se atingiu o pico. “Estamos, neste momento, em atividade gripal epidémica com tendência crescente”, resumiu. Para além da gripe, a circulação do SARS-CoV-2 mantém-se reduzida, enquanto o vírus sincicial respiratório (VSR) se fica por uma atividade baixa, embora com potencial para aumentar.
O aviso está dado, e os números começam a refletir-se nos corredores dos hospitais. Resta saber como evoluirá esta vaga antecipada, marcada por um vírus que aprendeu novos truques.
NR/HN/Lusa



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