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A Guarda Nacional Republicana entregou ao final da tarde desta quarta-feira, na Unidade Local de Saúde de Gaia/Espinho, a bebé de quatro meses que tinha desaparecido mais cedo das instalações hospitalares. Segundo uma fonte hospitalar contactada pela Lusa, tudo estava preparado para receber e avaliar o estado da criança pelas 20:35. A menina foi transportada por militares da GNR para a unidade de saúde.
O desaparecimento ocorreu durante a tarde de quarta-feira, depois de a mãe ter sido informada, em contacto com o tribunal durante a manhã, de que a criança seria entregue a uma família de acolhimento ainda nesse mesmo dia. A mulher conseguiu retirar a filha do internamento, contornando as medidas de segurança em vigor. O hospital comunicou de imediato o sucedido à Polícia Segurança Pública e à autoridade judiciária.
Em declarações aos jornalistas, o presidente do Conselho de Administração da ULS Gaia/Espinho, Luís da Cruz Matos, afirmou estar a “avaliar tudo o que se passou”. O responsável garantiu que será analisado todo o sistema, incluindo o funcionamento das pulseiras de identificação, para perceber como a retirada foi possível. “Temos de retirar daqui uma aprendizagem para que isto não se repita, isto não pode voltar a acontecer”, insistiu, com um tom visivelmente afetado pelo incidente.
A pulseira eletrónica da recém-nascida foi encontrada intacta no caixote do lixo da casa de banho do quarto onde estava internada. Essa descoberta levanta agora questões concretas sobre as falhas no procedimento. A unidade de saúde confirmou a abertura de um inquérito interno para apurar responsabilidades.
A Lusa questionou também a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde sobre uma eventual investigação autónoma a este caso, mas ainda não obteve qualquer resposta. O ambiente no hospital, segundo descrito por funcionários, foi de tensão crescente ao longo do dia, até ser conhecido o paradeiro da criança e a sua entrega pelos militares. O alívio entre as equipas era palpável, mesclado com a perplexidade perante a sucessão de eventos.
A situação expõe, de forma crua, as complexidades e os dramas humanos que por vezes irrompem nos corredores das instituições de saúde. Do lado judicial, o processo que levou à decisão de encaminhamento para acolhimento manteve-se, até ao momento, fora do espaço público. A mãe, cujo nome e circunstâncias específicas não foram divulgados, tornou-se o centro de um episódio que levou a uma mobilização de meios e a uma revisão de protocolos.
NR/HN/Lusa



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