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A estirpe H5N1 da gripe das aves, essa companheira indesejada das últimas épocas, voltou a manifestar-se no oeste do país. Desta feita, a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) confirmou a sua presença numa exploração de patos de engorda na freguesia de A-dos-Cunhados e Macieira, no concelho de Torres Vedras. A notícia, divulgada esta quarta-feira, não chega propriamente como uma surpresa para quem acompanha o dossier, mas impõe sempre um sobressalto.
Trata-se do quarto episódio a ser detectado neste território desde o passado mês de novembro, um dado que por si só ilustra a persistência do vírus. No final do mês anterior, já um foco tinha sido identificado na mesma freguesia, mas numa criação comercial de perus. Poucos dias antes, a 21 de novembro, as autoridades veterinárias tinham deparado com dois focos em Torres Vedras: um, também em perus de engorda; outro, numa capoeira doméstica que albergava uma miscelânea de gansos, patos, galinhas, pintadas e codornizes. Um autêntico microcosmos avícola agora sob ameaça.
Com esta nova confirmação, o número total de focos de gripe aviária registados em Portugal continental desde o início do ano ascende a 41. Um acumulado que levou a DGAV a apertar o cerco. A autoridade veterinária nacional, com um tom que mistura urgência e rotina adquirida, já tinha decretado o confinamento obrigatório de todas as aves domésticas no território continental. A medida, de carácter preventivo, visa quebrar possíveis pontes de contágio.
Mas o leque de proibições é mais vasto. Estão suspensas, em todo o lado, feiras, mercados e exposições que envolvam aves de capoeira ou aves em cativeiro. Nas áreas consideradas de proteção e vigilância – anéis que são traçados em torno dos focos confirmados –, as restrições apertam ainda mais. É proibido mover aves dessas zonas, repovoar espécies cinegéticas ou fazer circular carne fresca de caça oriunda de matadouros locais. Até os ovos para consumo humano e os subprodutos animais provenientes de explorações situadas nestas áreas não podem sair do perímetro definido.
Este reforço de vigilância alinha-se com um apelo mais amplo, vindo de cima. A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentosa (EFSA) já tinha instado os Estados-membros a não baixarem a guarda perante o risco de novos surtos. O vírus, claro, não conhece fronteiras.
Apesar do cenário preocupante nas explorações, as autoridades de saúde pública mantêm uma nota de tranquilidade quanto ao risco para as pessoas. A transmissão do vírus H5N1 aos humanos é um evento raro, com apenas casos esporádicos reportados a nível global. No entanto, e é um “no entanto” que os especialistas sublinham sempre, quando tal acontece, a infeção pode assumir contornos clínicos severos. É essa possibilidade, remota mas grave, que justifica parte do aparato montado em torno de uma exploração de patos em Torres Vedras.
A informação detalhada sobre o caso e as medidas em vigor pode ser consultada no site da DGAV.
NR/HN/Lusa



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