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Quatro serviços de urgência de obstetrícia e ginecologia estão inacessíveis ao público desde as primeiras horas deste sábado, dia 5 de dezembro. A informação, confirmada através das escalas disponibilizadas no Portal do SNS, refere-se aos hospitais das Caldas da Rainha, de Setúbal, do Barreiro e de Portimão. Nestas unidades, simplesmente não há resposta para quem aparecer.
A situação, porém, não se fica por estes encerramentos totais. Noutros pontos do país, a porta gira mais devagar. Nos hospitais Garcia de Orta, em Almada, e ainda em Santarém, Vila Franca de Xira e Leiria, as urgências da especialidade estão abertas, sim, mas só aceitam doentes encaminhados pelo Centro de Orientação de Doentes Urgentes do INEM. Quem lá chegar por iniciativa própria será provavelmente remetido para outro local ou para a linha de aconselhamento SNS 24. É um acesso severamente filtrado.
A radiografia das escalas, consultada pela Lusa no final da manhã, desenha um SNS sob tensão num fim de semana que se antevia complicado. Para além das obstétricas, há outras urgências especializadas com restrições assinaladas, como as pediátricas do centro hospitalar de Esposende, novamente em Vila Franca de Xira e no Beatriz Ângelo, em Loures. Em contrapartida, estão abertos 114 serviços de urgência gerais pelo país, além de 31 que funcionam em regime experimental, obrigando a um contacto prévio com o 808 24 24 24.
O cerne da questão, repetem há meses sindicatos e administrações hospitalares, é uma escassez de profissionais que tornou as escalas um quebra-cabeças insolúvel. Não há médicos especialistas em número suficiente para cobrir todos os turnos em todas as unidades. O problema é particularmente sensível em áreas como a gineco-obstetrícia, onde a demora ou o desvio numa emergência pode ter consequências graves. As recomendações oficiais, por isso, são claras e insistem no mesmo ponto: ligar primeiro.
A confusão para as utentes é, no entanto, um risco tangível. Imagine-se uma grávida de Setúbal com uma complicação súbita. A unidade de referência na sua cidade está fechada. Terá de se deslocar para Almada, mas lá o acesso é condicionado. É uma equação que mistura distância, tempo e ansiedade, resolvida muitas vezes ao sabor da sorte ou da persistência de quem está do outro lado da linha do SNS 24. As autoridades de saúde sublinham a importância deste filtro, mas a sensação de desamparo à porta de um hospital fechado é um facto político e humano que teima em persistir.
NR/HN/Lusa



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