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A decisão, tomada por unanimidade e anunciada hoje pelo seu sindicato, surge na sequência do que classificam como um rompimento claro do protocolo estabelecido em agosto com o Executivo e o Instituto Nacional de Emergência Médica. Esse entendimento, que já tinha o aval da Ordem dos Médicos desde 2016, previa a aplicação de novos protocolos de atuação clínica no terreno, permitindo, por exemplo, a administração de fármacos específicos em situações de risco de vida pelos próprios técnicos.
Rui Lázaro, presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH), não esconde a frustração. Explicou que, após a fanfarra inicial do acordo, apenas se conseguiram concretizar os protocolos para anafilaxia, convulsão e sepsis. Ficaram na gaveta, em contrapartida, os relativos à resposta à dor e convulsões. O golpe final, contudo, foi o destino do protocolo para a paragem cardiorrespiratória, que estava agendado para implementação já neste mês de dezembro. “Tendo em conta que não foi dado qualquer passo, já não existe possibilidade de implementar”, desabafa Lázaro, num tom que mistura cansaço com indignação. O que estava prometido como um salto qualitativo nos cuidados aos cidadãos transformou-se, na sua perspetiva, em mais uma página de promessas vazias do habitual calendário político.
Esta adesão à greve geral representa um alargamento significativo do protesto social, colocando sob foco adicional a pressão sobre o sistema de emergência médica num dia que se prevê de largas paralisações. A medida reflete um mal-estar que vai além das questões salariais, tocando no cerne da autonomia técnica e na melhoria concreta das respostas de urgência. O passo dado pelos técnicos, cuja ação diária se desenrola muitas vezes sob pressão extrema, ilustra um divórcio profundo com a tutela, acusada de ignorar os consensos técnicos já estabelecidos. O INEM e o Ministério da Saúde ainda não se pronunciaram sobre esta concreta adesão à greve, num silêncio que o sindicato interpreta como eloquente.
NR/HN/Lusa



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