Ventura classifica gestão da saúde como “incompetente” enquanto Montenegro aponta “constrangimentos”

5 de Dezembro 2025

O líder do Chega, André Ventura, acusou o Governo de incompetência na gestão da saúde durante o debate quinzenal. O primeiro-ministro, Luís Montenegro, reconheceu constrangimentos no SNS, antecipando a repetição de situações como as 18 horas de espera registadas no Hospital Amadora-Sintra

Num debate marcado por acusações diretas, André Ventura não poupou adjetivos para descrever a situação nas urgências do Hospital Amadora-Sintra, ocorrida na quinta-feira. O deputado falou numa “brutal guerra civil” na saúde, sustentando que os utentes estão sem acesso. Os números que apresentou pintam um quadro sombrio: um milhão e meio de pessoas sem médico de família, um aumento de 20% nos doentes que aguardam cirurgia fora dos prazos e mais de vinte mil utentes na fila para intervenções oncológicas. O corte de 10% no apoio a exames e medicamentos no Orçamento aprovado com o PS foi, nas suas palavras, a prova de uma política “não humana” por parte de um executivo que se diz humanista.

Do outro lado do hemiciclo, Luís Montenegro não negou os factos, mas procurou enquadrá-los. A situação de quinta-feira foi um “pico”, admitiu, algo que infelizmente poderá voltar a acontecer. A sua resposta oscillou entre a defesa do trabalho feito e o reconhecimento dos problemas estruturais. Trouxe dados para a discussão: uma redução global de 37% nos dias de encerramento de urgências e uma quebra de 16% no tempo médio de espera até agosto. Mas a frase que ficou no ar foi a admissão clara: “Houve constrangimentos. Há constrangimentos.”

A réplica de Ventura foi rápida e cortante. Se acontece e vai voltar a acontecer, então a razão só pode ser uma: “incompetência vossa”. Para o líder do Chega, a resignação do primeiro-ministro perante a repetição desses picos é o sinal mais claro do que classificou como o “fracasso do Governo na saúde”.

Montenegro, por sua vez, insistiu no longo prazo necessário para solucionar questões tão profundas. Argumentou com o investimento e o esforço dos profissionais, que têm permitido, na sua visão, inverter tendências. Sobre os números criticados, apresentou contrapontos: mais de 305 mil utentes ganharam médico de família, mas o sistema absorveu perto de 259 mil novos utentes, explicando a dimensão da lista. Realçou ainda um aumento de 5,9% no total de cirurgias realizadas até outubro.

O debate deixou assim duas narrativas em rota de colisão. Uma de falência e incompetência, outra de constrangimentos num percurso lento de melhoria, com ambos os lados a usarem números diferentes para tentarem provar o seu ponto. A discussão, como é habitual, ficou por resolver no hemiciclo.

NR/HN/Lusa

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