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Os advogados do Criadouro Ararinha-azul, uma das instituições centrais no projeto de reintrodução da ave na Caatinga baiana, saíram publicamente em defesa da atuação da empresa. Em meio a uma operação da Polícia Federal que apreendeu equipamentos de funcionários no início de dezembro, a defesa sustenta que a idoneidade da gestão será comprovada e que o próprio criadouro foi quem notificou, ainda em maio de 2025, a identificação do circovírus em um filhote nascido em vida livre.
A advogada Bruna Cabral, representante legal do empreendimento, descreveu a ação policial como algo já esperado, demonstrando “total tranquilidade” diante do que classificou como uma gestão pautada pela conformidade ambiental. “Trabalhamos com reputação ilibada e dentro das normas”, afirmou, em tom que mescla confiança institucional e certa frustração com o que chamou de “exposição midiática” do caso.
Segundo os esclarecimentos divulgados, das 103 ararinhas-azuis atualmente sob cuidados da instituição em Curaçá, 98 não apresentaram detecção do vírus nos exames mais recentes. As cinco aves com resultado positivo em ao menos um teste estão isoladas, com equipe e utensílios exclusivos, seguindo – segundo a defesa – protocolos rígidos de biossegurança. A nota técnica ressalta, contudo, que há divergências entre metodologias laboratoriais, motivo pelo qual foi solicitado acesso integral aos laudos e proposta uma reunião técnica conjunta com especialistas independentes.
O texto reconhece, com algum esforço de equilíbrio, que o ICMBio tem atuado dentro de suas atribuições, mas menciona “atos pontuais e multas” que estão sendo questionados administrativa e judicialmente. A defesa argumenta que, em um cenário sanitário complexo e de difícil controle, a empresa tem mobilizado recursos e feito investimentos de alto custo em tempo reduzido, tanto para cuidar das aves cativas quanto das resgatadas por determinação do próprio órgão ambiental.
Há um misto de orgulho e desconforto na maneira como a assessoria jurídica evoca o histórico do projeto. Lembra que, em 2022, o criadouro participou da soltura de 20 ararinhas-azuis na Caatinga, operação que registrou filhotes nascidos em ambiente natural após 37 anos sem reprodução em vida livre. Para alguns envolvidos, soa pouco coerente imaginar que a mesma instituição, após décadas de trabalho e investimento, colocaria em risco os resultados de sua própria trajetória – uma linha de raciocínio que tenta combater as suspeitas de que a disseminação do vírus teria relação com práticas internas.
No plano das investigações, os advogados afirmam confiar nos trabalhos da Polícia Federal e do Ministério Público Federal para esclarecer os fatos. A expectativa, expressa de forma quase desejosa, é que as apurações reconheçam a regularidade do trabalho desenvolvido e permitam a continuidade do projeto de preservação. O caso segue em aberto, com a tensão entre a defesa da imagem institucional e a pressão por responsabilização pairando no ar.
PR/HN



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