IGAS inspeciona hospital de Gaia após fuga de bebé confiada a instituição

6 de Dezembro 2025

A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde abriu um processo para avaliar as falhas de segurança no Hospital Eduardo Santos Silva, depois de uma mãe ter retirado a filha de quatro meses do internamento. A criança foi posteriormente entregue às autoridades

A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) está a escrutinar os procedimentos da Unidade Local de Saúde Gaia/Espinho. O motivo é um incidente que expôs fragilidades nos controlos do hospital, envolvendo uma criança de tenra idade que estava sob proteção judicial. Tudo aconteceu na passada quarta-feira, num cenário de grande tensão familiar e institucional.

Segundo apurou o Jornal de Notícias, que primeiro divulgou o caso, a mãe da bebé terá agido após ser informada, na manhã desse dia, de uma decisão judicial que determinava o encaminhamento da criança para uma família de acolhimento. Ainda durante a tarde, contornando os mecanismos de vigilância, conseguiu retirar a filha da unidade de Pediatria do Hospital Eduardo Santos Silva. O alarme soou, e o hospital comunicou o desaparecimento tanto à Polícia Segurança Pública como ao tribunal competente.

O périplo terminou no dia seguinte, quinta-feira, ao final da tarde. A bebé foi entregue voluntariamente pela mãe no posto da Guarda Nacional Republicana dos Carvalhos, em Vila Nova de Gaia. De acordo com uma fonte hospitalar contactada pela Lusa, a criança foi de imediato levada de volta ao hospital para avaliação médica, tendo depois seguido para a instituição de acolhimento que originalmente estava destinada.

No hospital, a investigação interna centrou-se de imediato numa pulseira eletrónica de segurança, que deveria impedir a saída da criança sem autorização. O dispositivo foi encontrado intacto, mas desativado, dentro de um caixote do lixo na casa de banho do quarto onde a bebé estava internada. Como foi removida e como a saída não foi detetada são questões que o presidente do Conselho de Administração, Luís Matos, prometeu esmiuçar.

“Vamos avaliar tudo, o sistema das pulseiras, como foi possível ela ter sido retirada”, afirmou Luís Matos aos jornalistas, visivelmente preocupado com a falha. Reconheceu a necessidade de uma aprendizagem imediata para que situações idênticas não se repitam. “Isto não pode voltar a acontecer”, insistiu, embora sem adiantar prazos para as conclusões da auditoria interna.

A ação da IGAS, solicitada por despacho do inspetor-geral, formaliza agora a análise externa sobre o que ocorreu. A nota da instituição, enviada à agência Lusa, é clara ao vincular a inspeção às “notícias relativas à retirada” da criança, com o objetivo expresso de “avaliar os mecanismos de segurança naquela unidade hospitalar”. O processo visa, assim, apurar responsabilidades e, sobretudo, identificar as brechas que permitiram a fuga, num caso que coloca em evidência o delicado equilíbrio entre a segurança hospitalar e os dramáticos conflitos que por vezes ali chegam.

NR/HN/Lusa

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