Médicos do INEM exigem equidade salarial e novo modelo de gestão em reunião com presidência

6 de Dezembro 2025

O Sindicato Independente dos Médicos entregou a Luís Cabral, presidente do INEM, um caderno reivindicativo que prioriza a equidade salarial e um novo modelo de gestão para travar a degradação das condições no instituto

O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) reuniu esta semana com o presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), Luís Cabral, num primeiro contacto formal que serviu para entregar um caderno reivindicativo extenso e assinalar prioridades prementes. A direção sindical, que agradeceu a prontidão na marcação do encontro, deixou claro que a recente integração dos médicos no regime de Dedicação Plena — uma conquista já materializada — é apenas o ponto de partida para um conjunto mais amplo de demandas.

No centro das preocupações está a valorização remuneratória uniforme entre as diferentes Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação (VMER), um tema que arrasta consigo antigas queixas sobre desigualdades salariais entre profissionais que, no fundo, realizam o mesmo trabalho de alto risco. O SIM argumenta que a penosidade e os perigos específicos da emergência pré-hospitalar carecem de um reconhecimento financeiro harmonizado, sob pena de se perpetuar uma injustiça que mina a coesão interna.

Para lá das questões salariais, os médicos apontam falhas estruturais. Exigem a concretização do SIADAP no INEM, um sistema de avaliação funcional que ainda não saiu do papel e que consideram fundamental para assegurar progressões na carreira com base em critérios transparentes e equitativos. Paralelamente, reclamam a criação de seguros de responsabilidade civil adequados ao exercício profissional em contexto de emergência, um velho anseio que consideram uma obrigação do empregador face aos riscos inerentes à atividade.

A crise de recursos humanos também dominou a conversa. O sindicato propõe, como solução para colmatar o défice crónico de profissionais, um modelo de partilha de quadros entre as Unidades Locais de Saúde (ULS) e o INEM. Uma ideia que, defendem, poderia trazer alguma estabilidade a um serviço sob pressão constante. Mas para que qualquer medida avance, o SIM alerta que é indispensável uma revitalização profunda da estrutura de gestão do instituto.

Nesse capítulo, as críticas são frontais. O atual Conselho Diretivo, composto por apenas dois elementos, é visto como um reflexo de um enquadramento organizacional “obsoleto e pouco ágil”. Os médicos defendem um modelo mais moderno e flexível, que permita uma contratação pública ágil e uma capacidade de resposta condizente com as exigências do terreno. “Não se pode gerir um sistema de emergência nacional com ferramentas de outra época”, terá sido dito durante o encontro, num tom que misturava preocupação com frustração.

No final, o SIM reafirmou a sua disponibilidade para colaborar no reforço do INEM, mas deixou um aviso subliminar: sem condições dignas, estáveis e valorizadas para os médicos, dificilmente se conseguirá manter um serviço de emergência médica robusto e de qualidade. O desafio está agora nas mãos da nova presidência.

PR/HN

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