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As farmácias portuguesas estão impossibilitadas de satisfazer a procura de vacinas contra a gripe por parte dos cidadãos que não se integram nos grupos prioritários definidos pelo Serviço Nacional de Saúde. A confirmação chegou esta quinta-feira, 5 de dezembro, através da Associação Nacional de Farmácias (ANF), que apontou o esgotamento puro e simples nos fornecedores.
“Existem constrangimentos na aquisição de vacinas junto dos distribuidores para pessoas que pretendam vacinar-se, mediante receita médica, fora dos grupos com direito à vacinação gratuita”, explicou a ANF, liderada por Ema Paulino, em resposta à agência Lusa. A situação, que se arrasta há algumas semanas de forma mais ou menos irregular conforme a região, cristalizou-se agora. “Até ao momento, a informação de que dispomos indica que os laboratórios já confirmaram não possuir mais vacinas destinadas ao contingente privado”, descreveu a associação, sublinhando que o problema não afeta quem se vacina gratuitamente nas farmácias aderentes.
Do lado do público, a campanha prossegue sem ruturas aparentes. A Direção-Geral da Saúde (DGS), que traçou a meta ambiciosa de imunizar 2,5 milhões de pessoas, regista já a administração de aproximadamente 2,3 milhões de doses desde setembro. Os números mais recentes, que cobrem o período até final de novembro, mostram uma cobertura vacinal de 60,7% na população com mais de 60 anos. Curiosamente, a faixa etária mais avançada, dos 85 anos para cima, é a que apresenta maior adesão, ultrapassando os 83%. Um dado que surpreendeu positivamente alguns técnicos do setor.
A diretora-geral da Saúde, Rita Sá Machado, já se tinha manifestado satisfeita com a resposta dos portugueses ao apelo das autoridades, notando também um aumento considerável na adesão dos profissionais de saúde. No entanto, esse otimismo oficial não atenua a frustração sentida nas farmácias, que se veem na incómoda posição de ter de recusar clientes que chegavam com receita médica e disposição para pagar do seu bolso. Um farmacêutico de Lisboa, que preferiu não se identificar, confessou que a situação gera “um mal-estar diário” com os utentes, que nem sempre compreendem a distinção entre os dois circuitos de distribuição.
A campanha sazonal outono-inverno 2025/2026, que decorre até final de abril do próximo ano em unidades de saúde do SNS e em cerca de 2500 farmácias comunitárias, parece assim ter encontrado um desequilíbrio entre a procura privada e a oferta disponível. Fica a dúvida sobre se a procura este ano terá superado as expectativas mais conservadoras dos laboratórios, ou se alguma logística mais intrincada falhou no processo. Para já, a ANF limita-se a gerir a situação, tentando orientar as farmácias e os cidadãos afetados, sem previsão de chegada de novo stock para o mercado privado.
NR/HN/Lusa



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