![]()
A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) anunciou esta sexta-feira a deteção de três novos focos de gripe aviária, dois deles em explorações comerciais do concelho de Torres Vedras e um numa ave selvagem em Albufeira. Os dados, disponíveis no site oficial do organismo, somam-se a uma sequência de ocorrências que já totaliza 44 desde o início de 2025, concentrando agora particular atenção na região Oeste.
Em Torres Vedras, o cenário repete-se com uma certa teimosia desconcertante. Um dos novos focos surgiu numa criação comercial de patos de engorda, na freguesia de Campelos e Outeiro da Cabeça. Quase ao mesmo tempo, técnicos confirmaram a presença do vírus noutra exploração, desta vez de frangos, em A-dos-Cunhados e Macieira – uma área onde, diga-se, já tinham sido identificados outros dois surtos nos dias anteriores. Só em novembro, o município acumula seis ocorrências, um ritmo que levou a DGAV a reforçar a vigilância na zona.
Já no Algarve, a confirmação chegou através de uma rola-turca encontrada em Albufeira. A ave selvagem, como tantas outras, torna-se um elo numa cadeia de transmissão que as autoridades tentam, nem sempre com sucesso, intercetar. Todos estes casos, conforme é habitual na vaga atual, são provocados pelo subtipo H5N1, a estirpe que tem dominado o panorama português.
Apesar de a passagem do vírus para seres humanos ser considerada um evento raro e pontual a nível global, a DGAV não esconde a preocupação com o que classifica como um “alto risco de disseminação” entre animais. Daí as medidas drásticas que estão em vigor: o confinamento obrigatório de todas as aves domésticas no continente é a regra de ouro. Além disso, estão proibidas aglomerações de animais, como feiras, mercados ou exposições, um golpe duro para muitos criadores.
O leque de restrições estende-se com particular rigor nas chamadas zonas de proteção e vigilância. Aí, o movimento de aves a partir de explorações, o repovoamento de espécies cinegéticas e até a circulação de carne fresca de caça ou de ovos para consumo estão interditos. São limitações que se arrastam há meses, com um impacto económico palpável no sector.
Esta nova vaga de casos surge num contexto em que a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) já tinha apelado aos Estados-membros para um reforço das medidas de biossegurança. O aviso, claro e direto, parece agora ganhar um contorno mais urgente no mapa de Portugal, onde o vírus insiste em encontrar brechas. A situação, longe de ser inédita, adensa-se com cada nova confirmação.
NR/HN/Lusa



0 Comments