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A decisão, formalizada na passada quinta-feira, surge na sequência de uma pressão inesperada e sustentada nos serviços, sobretudo nos internamentos. O fantasma das sobrelotações volta a pairar, e a estrutura de saúde liderada por… bem, ninguém em concreto assina o comunicado, optou por pôr em marcha o primeiro de quatro níveis de resposta. Justifica-se, lê-se no documento enviado à Lusa, pelo “aumento da procura dos serviços de saúde, por situações respiratórias”, numa clara alusão à vaga de gripe que começou a ganhar força em novembro.
Mas não é caso único. Os números nacionais confirmam o cenário. Raquel Guiomar, do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (Insa), explicou que Portugal está em fase epidémica. Os dados da semana de 24 a 30 de novembro não deixam margem para dúvidas: a taxa de incidência de infeções respiratórias agudas graves subiu para 10,5 casos por cem mil habitantes. Foram registadas 82 admissões por casos graves e dez desses doentes precisaram de cuidados intensivos. Os mais velhos, a partir dos 65 anos, e as crianças até aos quatro são, por agora, os grupos onde o vírus mais se faz sentir.
Perante isto, a ULS da Região de Leiria não esperou. As medidas do nível 1 estão já no terreno e passam por uma lógica de descompressão. Estão a ser abertas mais camas em enfermarias previamente identificadas e as equipas clínicas recebem reforços pontuais. A máquina burocrática das altas foi acelerada, com a administração a “privilegiar” que aconteçam antes do meio-dia. Dois hospitais da periferia – o Bernardino Lopes de Oliveira, em Alcobaça, e o de Pombal – funcionam como válvulas de escape. Para Alcobaça seguem utentes que, embora com alta clínica, enfrentam barreiras sociais para regressar a casa. Para Pombal são direcionados os casos de menor complexidade, numa tentativa de desafogar o principal hospital em Leiria.
A unidade de saúde, que cobre os concelhos de Alcobaça até Ourém, garante que a situação é vigiada “diariamente” e que as medidas serão ajustadas consoante a necessidade. No entanto, e aqui o tom muda de descritivo para apelativo, lança um aviso à população. O pedido é que se use o serviço de urgência apenas para situações efetivamente urgentes e que se telephone sempre para a Linha SNS 24 (808 24 24 24) antes de qualquer deslocação. Um apelo feito de forma recorrente todos os invernos, mas que este ano parece ganhar uma premência especial face aos números que começam a pintar-se de vermelho nos boletins epidemiológicos.
NR/HN/Lusa



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