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Foi assinado esta terça-feira um novo Protocolo de Colaboração entre a Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra e as três Federações de Bombeiros da região Centro – de Coimbra, Castelo Branco e Leiria. O acordo, que entra em vigor imediatamente, tem uma vigência inicial de dois anos, passível de renovações sucessivas, e pretende marcar uma etapa decisiva na forma como os serviços de saúde e as associações humanitárias de bombeiros trabalham em conjunto.
No centro do protocolo está a criação de uma Comissão Paritária e Permanente de Acompanhamento. Este órgão, composto por representantes de todas as entidades signatárias, terá a missão de monitorizar a colaboração, propor melhorias e assegurar uma harmonização nos processos que envolvem as equipas no terreno. A ideia, dizem os envolvidos, é construir pontes mais sólidas entre os hospitais e as corporações, que desempenham um papel absolutamente crucial no transporte não urgente e na resposta de emergência pré-hospitalar.
Das linhas do documento sobressaem várias áreas de atuação prioritária. Uma delas é a gestão do transporte não urgente de doentes, que incluirá o acompanhamento da implementação do Sistema de Gestão de Transporte de Doentes (SGTD) e a identificação de obstáculos operacionais. Outro ponto forte é a transição para um modelo de faturação totalmente digital, abandonando progressivamente o suporte em papel e uniformizando procedimentos entre as diversas corporações e a unidade de saúde.
Há também uma atenção particular voltada para o quotidiano dos serviços de urgência. O protocolo prevê a melhoria das relações operacionais nessas unidades, com a definição de regras claras para a circulação e estacionamento das viaturas dos bombeiros, e ainda um mecanismo para a validação de equipamento retido ou danificado. Mas talvez o capítulo que mais interesse às corporações seja o financeiro. O acordo estabelece o compromisso de um acompanhamento sistemático dos pagamentos, com o objetivo de garantir regularidade, reduzir atrasos e monitorizar mensalmente os indicadores económicos. Uma meta concreta foi avançada: assegurar que os pagamentos sejam efetuados num prazo inferior a 60 dias, até 2026.
Para o Presidente do Conselho de Administração da ULS Coimbra, Prof. Doutor Alexandre José Lourenço Carvalho, este não é um mero acordo administrativo. “Este protocolo representa um compromisso estruturante de confiança mútua, transparência e modernização dos processos”, afirmou. “Garantir previsibilidade financeira às corporações de bombeiros significa, em última análise, criar melhores condições de resposta aos cidadãos”, acrescentou, deixando no ar a perceção de que uma relação estável no plano financeiro é a base para uma operacionalidade eficaz.
Já as Federações de Bombeiros da Região Centro enalteceram o acordo como um instrumento vital para reforçar a cooperação institucional. Na sua visão, este passo contribui diretamente para a sustentabilidade do trabalho diário das corporações, assegurando-lhes não só maior eficiência, mas também uma capacidade de resposta mais robusta no apoio às populações. É, nas suas palavras, um reconhecimento formal da interdependência entre os sistemas de saúde e de socorro.
A ULS de Coimbra, que integra oito unidades hospitalares e vinte e seis centros de saúde, sendo o maior empregador nacional do setor, vê neste protocolo um alinhamento com a sua missão de inovação e qualidade. O documento, mais do que listar intenções, parece querer institucionalizar um diálogo que muitas vezes acontece sob pressão, nos corredores das urgências, transferindo-o para uma mesa de trabalho com agenda e objetivos definidos. Resta saber como é que esta arquitetura de colaboração, agora no papel, se vai materializar no terreno, ao longo dos próximos vinte e quatro meses.
NR/18HN



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