Balanço palestiniano aponta para 367 mortos em Gaza após trégua

7 de Dezembro 2025

O Ministério da Saúde de Gaza anunciou que 367 palestinianos morreram em ataques israelitas desde o início do cessar-fogo. Os hospitais receberam seis corpos na última atualização

A contabilidade macabra não parou com a trégua. Dados divulgados pelo Ministério da Saúde da Faixa de Gaza, administrado pelo Hamas, indicam que pelo menos 367 palestinianos perderam a vida em ações militares israelitas decorridas desde que o cessar-fogo entrou em vigor. O boletim diário, com dados reportados até à meia-noite de sexta-feira, detalha que seis corpos deram entrada em estabelecimentos hospitalares, enquanto outros cinco foram resgatados de entre os escombros que mancham a paisagem do território.

O número de feridos desde que o acordo de pausa nos combates começou, a 10 de outubro, ascende agora a 953. Uma névoa de confusão territorial, contudo, parece alimentar parte da violência persistente. As forças israelitas, que se retiraram para a designada “linha amarela”, mantêm o controlo sobre 54% da Faixa de Gaza. De lá, efetuam disparos — quase diários, segundo relatos — contra palestinianos que, nas palavras do exército israelita, se aproximam em demasia dos limites estabelecidos. Para muitos dos deslocados, esfomeados e desorientados, a movimentação naquela zona ténue é um ato de desespero na tentativa de alcançar o que restou dos seus lares ou encontrar algo para comer, como noticiou a agência Efe.

Nos cenários de destruição massiva, onde se estima que mais de 80% das construções estejam danificadas ou totalmente reduzidas a ruínas, o trabalho das equipas de resgate é uma labuta contra a escassez. A Defesa Civil palestiniana já recuperou, na sua contagem mais recente, 619 corpos soterrados sob toneladas de entulho. As autoridades locais advertem, com um misto de exaustão e revolta, que milhares de cadáveres ainda permanecem presos nos escombros. A falta crónica de maquinaria pesada e de combustível estrangula os esforços, transformando a recuperação num processo moroso e fragmentado.

Desde o início da ofensiva israelita, desencadeada em resposta aos ataques do Hamas em outubro de 2023, o balanço global traça um panorama avassalador: 70.354 mortos e 171.030 feridos, muitos dos quais com amputações e lesões permanentes que marcarão para sempre as suas vidas.

Num registo político distinto, o ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Hakan Fidan, abordou o futuro do território, argumentando que o desarmamento do Hamas não deve constituir a prioridade absoluta. “O desarmamento não pode ser a primeira coisa a fazer no processo. Devemos proceder pela ordem correta, devemos ser realistas”, afirmou Fidan, comentando indirectamente as propostas em circulação. Entre essas medidas, integradas numa suposta segunda fase de um plano associado ao presidente norte-americano Donald Trump para terminar a guerra, figuram precisamente o desarmamento do movimento, a criação de uma autoridade transitória e a implementação de uma força internacional de estabilização — uma matilha burocrática e militar cujo caminho parece ainda longo e incerto.

NR/HN/Lusa

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