Controlo digital da glucose na gravidez mostra vantagens no peso do recém-nascido

7 de Dezembro 2025

Um estudo internacional revela que a monitorização contínua da glucose em grávidas com diabetes gestacional reduz para metade a probabilidade de terem um filho com peso excessivo, abrindo caminho a cuidados mais personalizados

A monitorização contínua da glucose, através de um sensor subcutâneo, demonstrou reduzir significativamente o risco de macrossomia fetal em mulheres com diabetes gestacional. Esta conclusão resulta de um ensaio clínico multicêntrico, o primeiro do género, liderado pela Medical University of Vienna e publicado na revista The Lancet Diabetes & Endocrinology. A investigação comparou a eficácia deste método digital com o tradicional sistema de picada no dedo para automonitorização.

No trabalho, que envolveu 375 participantes de quatro hospitais universitários — Viena, Charité em Berlim, Jena e Basileia —, as gestantes foram distribuídas aleatoriamente por dois grupos. Um utilizou um sistema de monitorização em tempo real (rt-CGM), enquanto o outro manteve o método convencional (SMBG). Todas receberam tratamento de acordo com as diretrizes clínicas vigentes até ao parto. A diabetes gestacional, quando não convenientemente controlada, está frequentemente associada a um crescimento fetal excessivo, o que pode complicar o parto e aumentar a propensão da criança para obesidade e doenças metabólicas.

A análise dos dados de nascimento trouxe resultados claros: apenas 4% das mulheres no grupo do rt-CGM tiveram recém-nascidos classificados como grandes para a idade gestacional (LGA). No grupo de controlo, essa percentagem subiu para os 10%. Para além disso, as percentiles médias de peso à nascença foram inferiores entre os filhos das mulheres que usaram o sensor contínuo, sugerindo um melhor controlo do crescimento fetal.

Christian Göbl, investigador principal do estudo da MedUni Vienna, sublinha a praticidade do sistema. “O sensor permite uma consulta imediata dos níveis de glucose a qualquer momento. Esta acessibilidade facilita ajustes mais precisos no estilo de vida ou na terapia com insulina, o que se reflete positivamente na evolução da gravidez”, afirmou. No entanto, um dado chamou a atenção da equipa: em ambos os grupos registou-se um número considerável de recém-nascidos pequenos para a idade gestacional (SGA). Este pormenor, admitem os cientistas, pode indicar que um controlo glicémico demasiado rigoroso também poderá ter influência no risco de crescimento fetal insuficiente, necessitando de escrutínio futuro.

Tina Linder, primeira autora do artigo, enfatiza o potencial da tecnologia. “Os nossos resultados sustentam a ideia de que estes sistemas em tempo real podem melhorar os cuidados perinatais, sobretudo para as mulheres que necessitam de uma terapia mais intensiva”, referiu. “Contudo, é urgente definir com maior precisão quais são os valores-alvo ideais de glucose. O objetivo é evitar tanto o crescimento excessivo como o deficitário do feto”, acrescentou. O estudo, assim, não só valida um instrumento clínico como levanta novas questões para a investigação obstétrica.

https://www.meduniwien.ac.at/web/en/ueber-uns/news/2025/news-in-december-2025/gestational-diabetes-continuous-glucose-monitoring-reduces-risk-of-excessive-birth-weight/

Referência bibliográfica:
Linder T, et al. Continuous glucose monitoring versus self-monitoring of blood glucose in gestational diabetes: a multicentre randomised controlled trial. Lancet Diabetes Endocrinol. 2025;

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