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O candidato presidencial Luís Marques Mendes defendeu esta sexta-feira que o Governo, os sindicatos e as entidades patronais devem fazer cedências mútuas no processo negocial em torno da revisão da legislação laboral. Falando aos jornalistas durante uma visita ao mercado de Natal Wonderland Lisboa, no Parque Eduardo VII, o apoiado por PSD e CDS-PP evitou comentar diretamente as declarações do primeiro-ministro sobre a greve geral marcada para 11 de dezembro, mas deixou claro o seu ponto de vista.
“Isto é uma negociação a três, e uma boa negociação é quando todos cedem em função de um objetivo”, afirmou, recusando-se a alongar-se sobre a avaliação do chefe do Executivo, que considerou a paralisação sem sentido do ponto de vista dos trabalhadores. Para Marques Mendes, o direito à greve é inquestionável. “A greve é legítima, os sindicatos têm o direito a fazer a greve. Vai criar transtornos às pessoas? Claro que vai. Mas a greve é legítima”, disse, com um tom que mesclava pragmatismo e uma certa placidez.
O essencial, na sua opinião, é que o canal de diálogo se mantenha aberto depois do dia de paralisação. Mostrou-se até surpreendentemente satisfeito com o rumo dos últimos dias. “Aquilo que nos últimos dias aconteceu é muitíssimo positivo. Não é muito, é muitíssimo positivo”, repetiu, sublinhando a disposição anunciada pelo Governo e pela UGT para continuarem a negociar após a greve. Disse sentir, digamos assim, que a sua intervenção pública terá ajudado a desanuviar o clima que estava “muito crispado” há um mês.
Sobre os impactos concretos da greve geral, o antigo líder social-democrata não iludiu a realidade. “Uma greve cria sempre problema, e uma greve geral cria mais problemas que uma greve que não é geral”, admitiu, confiando porém na ponderação feita pelos sindicatos. O que verdadeiramente importa, na sua análise, é que este evento seja apenas “um percalço num processo negocial” e não o seu fim. “E essa parte aparentemente está garantida”, comentou, num registo quase alheado.
Questionado sobre o conteúdo concreto das propostas do Governo, Marques Mendes escudou-se no papel presidencial. “Um Presidente da República só se pronuncia sobre uma lei quando ela está aprovada”, afirmou, notando que existe apenas um anteprojeto sujeito a “variadíssimas alterações”. Pronunciar-se agora, argumentou, seria fazer “ruído”. A visita ao mercado de Natal, onde circulou com alguns dos seus netos, parando para fotografias e cumprimentos de simpatizantes, foi também palco para outras questões. Na saúde, voltou a bater na tecla da exigência de resultados palpáveis, como na redução dos constrangimentos nas urgências. “O governo já está há um ano e meio em funções, e porque as pessoas querem, de facto, melhoria da situação”, rematou, antes de se despedir com um aperto de mãos.
NR/HN/Lusa



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