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Num estudo multidisciplinar divulgado esta quarta-feira, uma equipa do Instituto Real de Tecnologia de Estocolmo (KTH) e da Universidade de Estocolmo apresentou três compostos com efeitos estrogénicos negligenciáveis, obtidos a partir de recursos renováveis. O trabalho, publicado na Nature Sustainability, seguiu de perto o quadro europeu “Seguro e Sustentável por Conceção” (SSbD), uma estrutura voluntária que visa guiar a inovação em químicos e materiais. A abordagem, que combinou rastreio computacional, química sintética sustentável e toxicologia in vitro, analisou inicialmente mais de 170 bisfenóis potenciais.
Um dos compostos, o bisguaiacol F (BGF), foi integrado numa matriz de poliéster. O material sintetizado demonstrou propriedades térmicas e mecânicas equivalentes ou superiores aos plásticos convencionais baseados em BPA, mantendo uma estabilidade promissora. Estes bisfenóis alternativos poderão vir a ser utilizados numa vasta gama de aplicações, desde garrafas de água e mobiliário a óculos.
Helena Lundberg, professora associada de química orgânica no KTH e autora principal, sublinha que a metodologia desenvolvida é um aspeto central da investigação. “A forma como colaboramos entre disciplinas, alinhando-nos com o quadro SSbD, pode ser generalizada para vários tipos de toxicidade e para diversos compostos químicos destinados a produtos de consumo”, afirmou. O fluxo de trabalho adotado pretende minimizar os impactos negativos na saúde e no ambiente desde a fase de desenho dos novos materiais.
Oskar Karlsson, toxicologista da Universidade de Estocolmo e um dos autores séniores, destacou a importância da triagem toxicológica de alto débito. “Permite-nos avaliar rapidamente muitos candidatos, o que é fundamental para garantir que apenas as opções mais seguras progridem”, explicou. A equipa, que inclui ainda especialistas em ciência de dados e tecnologia de polímeros, considera que a estrutura multidisciplinar foi indispensável para avaliar em paralelo a segurança e o desempenho dos compostos.
Antes que os materiais baseados em BGF possam chegar ao mercado, são necessários testes adicionais, incluindo toxicologia de longo prazo e avaliações completas do ciclo de vida. No entanto, os investigadores encaram o estudo como um contributo significativo para eliminar químicos nocivos do quotidiano. Lundberg acrescentou que a abordagem SSbD ajuda os cientistas a fornecer novos materiais “livres de riscos ocultos para a saúde e produzidos com impacto ambiental mínimo”, assegurando que os consumidores tenham acesso a produtos melhores sem comprometer a qualidade.
Referências bibliográficas:
Lundberg, H. et al. An alternative to BPA passes toxicity and sustainability standards set by EU innovation guidelines. Nat Sustain (2025). https://doi.org/10.1038/s41893-025-01558-w
KTH The Royal Institute of Technology. “An alternative to BPA passes toxicity and sustainability standards set by EU innovation guidelines”. https://www.kth.se/en/om/nyheter/centrala-nyheter/an-alternative-to-bpa-passes-toxicity-and-sustainability-standards-set-by-eu-innovation-guidelines-1.1360325
NR/HN/AlphaGalileo



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