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Chama-se “Hospital no Domicílio Sénior” e o seu arranque está marcado para 2 de janeiro de 2026, inicialmente para um grupo de 210 idosos a viver em estruturas residenciais de quatro concelhos do Oeste. A apresentação pública decorreu esta quinta-feira na Casa da Música, em Óbidos, selando uma parceria entre o Centro Distrital de Leiria da Segurança Social e a Unidade Local de Saúde (ULS) do Oeste.
A ideia, na sua essência, é simples: criar um canal de comunicação telefónico direto entre equipas de cinco instituições – uma em cada um dos concelhos de Caldas da Rainha, Bombarral, Óbidos e Peniche, mais uma instituição privada nas Caldas – e uma equipa do serviço de urgências da ULS Oeste. O período piloto decorre de janeiro a março. “A ideia é no futuro, se existirem meios, alargar a todos os concelhos da ULS Oeste”, afirmou João Paulo Pedrosa, diretor do Centro Distrital de Leiria da Segurança Social, temperando o anúncio com a nota de realismo sobre os recursos necessários.
Do outro lado da linha, uma médica e uma enfermeira estarão disponíveis de segunda a sexta-feira, das 09:00 às 16:00. A sua função será ouvir os técnicos dos lares, ajudar a clarificar o estado clínico de um residente e, fundamentalmente, realizar uma pré-triagem. “Permitirá aos técnicos das instituições tirar dúvidas sobre o estado clínico dos utentes e fazer uma pré-triagem para decidir se estes necessitam de ser transportados às urgências ou podem ser tratados nos respetivos lares, onde estão mais confortáveis”, explicou Pedrosa. Trata-se, no fundo, de tentar filtrar as deslocações que são estritamente necessárias daquelas que podem ser evitadas com orientação à distância.
Para Elsa Baião, presidente do Conselho de Administração da ULS Oeste, o projeto responde a um problema concreto de qualidade de vida e de pressão nos serviços. “Embora possa não ser muito expressivo em termos de quantidade, corresponde a utentes que ficam muitas horas em macas, nalguns casos em situações constrangedoras”, disse, referindo-se aos 2.010 utentes de ERPI que deram entrada nas urgências hospitalares em 2024, um valor inferior a 2% do total. O objetivo declarado é “dar mais bem-estar, mais conforto e prestar cuidados de saúde aos idosos nos locais onde eles estão mais confortáveis” e, em paralelo, “responder à elevada afluência da população sénior às urgências hospitalares”.
O universo potencial é significativamente maior do que a amostra inicial. Nos quatro concelhos estão identificados 3.900 idosos distribuídos por 68 estabelecimentos, um mosaico que inclui Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI), Instituições Particulares de Solidariedade Social e respostas privadas. A seleção para esta primeira fase foi, portanto, restritiva. O foco, neste arranque, são mesmo aqueles “que são sinalizados, para que haja uma informação médica que possibilite a decisão sobre se o doente é para ir à urgência ou não”, nas palavras de Elsa Baião.
A governante admitiu que a metodologia, se resultar, poderá evoluir. Há a perspetiva de se avançar para “outros serviços como teleconsultas” e, numa segunda fase, estender o modelo a “mais instituições”. A ULS do Oeste segue assim o exemplo de outras duas unidades do país: a ULS de Leiria, onde o projeto já entrou numa segunda fase, e a ULS de Coimbra, que viu a iniciativa arrancar apenas na semana passada.
A ULS do Oeste, que gere os cuidados de saúde da região, integra numa única entidade o Centro Hospitalar do Oeste e os agrupamentos de centros de saúde Oeste Norte e Oeste Sul. A sua área de atuação abrange, além dos quatro concelhos mencionados, os municípios de Lourinhã, Cadaval, Torres Vedras e Sobral Monte Agraço.
NR/HN/Lusa



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