Sindicato acusa INEM de atrasos “inadmissíveis” nas ambulâncias e ameaça denúncia à IGAS

7 de Dezembro 2025

O STEPH denuncia atrasos superiores a uma hora na saída de ambulâncias, sobretudo em Lisboa, e vai apresentar queixa por incumprimento de protocolos clínicos. Administração priorizou os centros de atendimento telefónico

O Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH) revelou, em comunicado, que se registam atrasos “inadmissíveis” no despacho de ambulâncias para emergências, com alguns casos a ultrapassar uma hora de espera, particularmente na Área Metropolitana de Lisboa. A organização sindical atribui a situação a orientações da nova administração do INEM que, alegadamente, determinaram o encerramento de viaturas para priorizar o reforço dos postos nos Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU).

Em declarações à Lusa, o presidente do STEPH, Rui Lázaro, não poupou críticas. “A Área Metropolitana de Lisboa é por si só uma zona deficitária em ambulâncias”, afirmou, acrescentando que a orientação dada pelo atual presidente do instituto, Luís Cabral, “gerou algumas dúvidas”. Temia, disse, que a medida provoque “maiores constrangimentos” nas próximas semanas, com a conjugação de épocas festivas e picos de gripe.

A acusação surge na sequência de um email interno da administração do INEM, ao qual a Lusa teve acesso, que define como prioridade absoluta para os próximos meses o reforço dos CODU. O documento, assinado por Luís Cabral, instrui que “não devem ser reequacionados os rácios de forma a maximizar a operacionalização das AEM [Ambulâncias de Emergência Médica], pois o foco é o CODU”. Uma orientação que, no entender de Rui Lázaro, desequilibra o sistema. “É necessário manter o equilíbrio entre ambulâncias e Centros de Atendimento […] sem descurar em demasia, obviamente, os meios de emergência”, argumentou.

Paralelamente, o STEPH vai apresentar uma denúncia formal à Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS). O motivo é o alegado incumprimento, por parte do INEM, do acordo celebrado sobre protocolos de atuação clínica, que incluem a aplicação de certos fármacos em situações de risco de vida. Perante a falta de respostas do Governo aos pedidos de esclarecimento, o sindicato avanhará também com pedidos de audiência aos grupos parlamentares e à Comissão de Saúde.

O sindicato estranha ainda que “sejam tomadas medidas avulso” que contrariem a evolução positiva que diz ter sido verificada nos últimos meses, após a integração de 149 técnicos em agosto. Rui Lázaro apontou outro facto: há três semanas que 89 técnicos aguardam homologação para contratação a partir da bolsa do último concurso. “O curso que realizaram no CODU é relativamente célere e podiam ser já uma ajuda nesta época”, observou, num tom de perplexidade.

Questionado sobre o impacto da greve geral marcada para 11 de dezembro – à qual os TEPH não aderirão –, o líder sindical foi perentório. “Neste momento, com os dados que temos, mesmo sem greve a decorrer, já há atrasos”. Durante a paralisação, mesmo com serviços mínimos em vigor, é expectável “mais algum constrangimento” devido à redução de profissionais, admitiu.

O sindicato considera que a atual situação fica muito longe do que seria expectável. “Não é digno de nenhum país minimamente desenvolvido que uma ocorrência já triada como emergente tenha de esperar mais de uma hora pelo envio de meios”, lê-se no comunicado.

NR/HN/Lusa

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