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O Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH) reagiu com desconforto às palavras do presidente do INEM, Luís Mendes Cabral, que numa mensagem aos trabalhadores alertou que quem constituísse uma resistência infundada à mudança ficaria “no antigo INEM”. Em declarações à Lusa, o presidente do STEPH, Rui Lázaro, afirmou ter lido “com bastante surpresa esse modo de discurso” e repudiou o conteúdo, convidando o dirigente a retratar-se. “No INEM e na emergência médica não estamos habituados a deixar ninguém para trás”, insistiu, numa clara alusão à filosofia de trabalho do setor.
Rui Lázaro não escondeu a preocupação de que este posicionamento possa abrir uma frente de conflito com os profissionais. “Tememos que sim”, admitiu, recorrendo à experiência passada para lembrar que presidentes com atitudes semelhantes “acabaram por não fazer um bom trabalho e por não ficar muito tempo à frente dos destinos do Instituto”. A tensão parece agravada pelo facto de a proposta da Comissão Técnica Independente para a refundação do INEM, divulgada pelo jornal Público, conter medidas que, segundo o sindicalista, vão ao encontro das reivindicações históricas do STEPH – como a evolução e diferenciação da carreira técnica –, mas que parecem contradizer declarações recentes de Mendes Cabral, que à margem de um congresso em Fátima defendeu que a base do sistema não deve evoluir.
Perante esta divergência, Rui Lázaro deixou no ar uma questão incómoda: “Se será a pessoa certa para liderar a refundação do INEM”. Sobre a proposta da comissão independente, o líder sindical mostrou-se cauteloso. Considerou positivo o seu conhecimento público, mas pediu tempo para a analisar na totalidade. Manifestou reservas quanto à fusão entre o CODU e o SNS24 numa única central, alegando que os modelos de emprego e organização são profundamente distintos – de um lado profissionais permanentes, do outro um regime maioritariamente assente em disponibilidades.
O tom das declarações sugere um caminho acidentado para o processo de refundação. Enquanto a tutela promete uma transformação célere, no terreno ecoa o aviso de que nenhuma mudança robusta se fará sem o envolvimento dos que operam no quotidiano da emergência. O impasse, agora mediático, aguarda os próximos passos da presidência do INEM.
NR/HN/Lusa



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