Doentes com pulseira amarela confrontados com esperas superiores a meio dia

8 de Dezembro 2025

Na região de Lisboa, doentes classificados como urgentes enfrentam tempos de espera para primeira observação que atingiram as 13 horas esta manhã, segundo dados oficiais consultados pela Lusa

O cenário repetiu-se esta manhã nas urgências dos principais hospitais de Lisboa e arredores, num retrato que parece teimar em permanecer. Doentes com problemas classificados como urgentes, aqueles a quem é atribuída a pulseira amarela no momento da triagem, viram-se novamente perante esperas desoladoramente longas para uma primeira observação clínica. Dados do portal do Serviço Nacional de Saúde (SNS), consultados pela agência Lusa pelas 09:00 de hoje, revelam picos extremos, com casos a ultrapassar a marca das treze horas.

O Hospital Amadora-Sintra destacava-se, nesse momento, pelo pior registo. Quinze pessoas triadas como urgentes tinham à sua frente uma estimativa de espera de 13 horas e 4 minutos até serem vistas por um médico. Um contraste gritante com os quatro doentes considerados muito urgentes (pulseira laranja) no mesmo hospital, cujo tempo de atendimento recomendado estava cumprido, com uma espera de apenas 28 minutos. A diferença, nestas circunstâncias, parece abismal.

A situação, contudo, não se confinava a um único estabelecimento. No emblemático Hospital Santa Maria, em Lisboa, uma dúzia de utentes com pulseira amarela aguardava por sete horas e doze minutos. No São José, também na capital, a espera era de duas horas e dezanove minutos para seis doentes na urgência geral. Já no Beatriz Ângelo, em Loures, dez pessoas na mesma condição viam um relógio virtual marcar cerca de quatro horas e um quarto até à observação.

Ora, estas realidades colidem frontalmente com os padrões de referenciação estabelecidos. O próprio sistema de triagem do SNS determina que os casos muito urgentes devem ser atendidos em até 10 minutos após a classificação. Para os urgentes, o tempo ideal é de 60 minutos, enquanto os pouco urgentes (pulseira verde) têm um prazo de espera recomendado de 120 minutos. Os números desta manhã, portanto, não representam meros atrasos, mas uma rutura significativa face ao protocolo.

Importa perceber como estes tempos são calculados. Segundo a explicação disponível no Portal do SNS, o “tempo médio de espera” resulta da média do tempo já decorrido para todos os utentes que se encontram na mesma fase do processo – seja na espera para triagem, na espera para primeira observação ou já em observação. É, pois, um indicador dinâmico e retrato de um instante específico, mas que, quando consistentemente elevado, desenha um padrão preocupante.

Face a esta pressão constante nos serviços de urgência, as autoridades de saúde insistem num apelo que soa a déjà vu. O recado é dirigido à população: antes de rumar a um hospital, deve ser contactado, por telefone, o Centro de Contacto do SNS – o SNS24 (808242424). A ideia é que uma avaliação prévia por parte de profissionais de saúde possa orientar melhor os cidadãos e, na melhor das hipóteses, evitar deslocações que acabam por sobrecarregar ainda mais os serviços sem real necessidade clínica.

O portal onde estes dados são publicamente acessíveis pode ser consultado aqui: Portal do SNS – Tempos de Espera.

É um cenário que, dia após dia, coloca à prova a resiliência dos doentes, dos familiares que os acompanham e, claro, dos profissionais de saúde no terreno. Uma prova de fogo que parece longe de terminar.

NR/HN/Lusa

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