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Um homem palestiniano foi morto a tiro, esta segunda-feira, por soldados israelitas após ter atravessado a demarcação conhecida como “linha amarela” no sul do território de Gaza. O incidente, confirmado num comunicado oficial das Forças de Defesa de Israel (FDI), ocorreu nas proximidades de unidades militares que operavam na zona.
No documento, a instituição militar descreve o indivíduo como “um terrorista” que, ao transpor aquele limite, “se aproximou das unidades que operavam no sul da Faixa de Gaza, o que representava uma ameaça imediata”. Perante a avaliação da situação, as tropas “abriram fogo para eliminar a ameaça”, lê-se na mesma nota.
Este episódio enquadra-se num padrão de eventos semelhantes registados desde a entrada em vigor do último cessar-fogo, a 10 de outubro. De acordo com os números compilados pelo Ministério da Saúde de Gaza, o número total de palestinianos mortos em circunstâncias análogas ascende agora a 366, uma contagem que não inclui ainda a vítima de hoje. A designada “linha amarela” funciona como uma fronteira tácita, estabelecida após a retirada das tropas israelitas de certas áreas no início da trégua. Para lá dessa linha, que parte da população afirma desconhecer com exatidão, permanece sob controlo militar israelita mais de metade do território perimetral do enclave.
A situação é particularmente complexa em Rafah, no extremo sul, formalmente uma zona militarizada sob controlo israelita desde abril. Aqui, os confrontos ocorrem com uma frequência quase diária. As FDI têm alvejado o que classificam como milicianos palestinianos que permanecem em redes de túneis, num impasse onde não é assegurada uma rota de saída segura para estes indivíduos.
O conflito mais amplo, cujas raízes remontam à ofensiva israelita de 2013, iniciada em retaliação a ataques do Hamas, continua a cobrar um pesado tributo. Dados do mesmo ministério palestiniano indicam que, no total, pelo menos 70.354 palestinianos perderam a vida e mais de 171.030 sofreram ferimentos, muitos dos quais com sequelas permanentes e amputações, em resultado das ações militares israelitas ao longo dos anos.
NR/HN/Lusa



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