António Alvim Presidente da Associação Portuguesa de Médicos de Família Independentes-APMF

O sucesso dos cuidados de saúde portugueses

12/08/2025

A aposta nos Cuidados de saúde Primários iniciada em Portugal há 50 anos com o Serviço Médico à Periferia , que veio evoluindo até à generalização das Unidades de Saúde Familiares de  Modelo B, deu frutos.

Portugal sai bem da fotografia comparativa dos países da OCDE nos aspetos relativos aos Cuidados de Saúde Primários

Assim, está acima da média europeia em áreas tão importantes como a esperança de vida ao nascer, na prevenção de mortes evitáveis ou tratáveis , incluindo os suicídios

Mas os portugueses continuam a ter uma autoavaliação negativa sobre o seu estado de saúde e ainda maus hábitos como muito pouca atividade física e consumo de álcool. O tabagismo está alinhado com a média europeia. São áreas onde há margem para atuar

 

Mas se a aposta nos cuidados de saúde primários é um aposta ganha, 15 % dos portugueses (mais de um milhão e meio de pessoas)  não tem médico de família, alguns há  mais de 15 anos, sendo que cada mais um ano sem proteção agrava a sua situação.

Sem medico de família não só ficam sem cuidados preventivos como estão também  sem acesso aos exames complementares de diagnóstico tornando inútil o seguimento por um médico de família privado.

Resta o recurso ao Serviço de Urgência Hospitalar , entupindo as urgências , e onde chegam por vezes com a doença já avançada.

Recentemente uma estação de televisão contava o caso de um doente que teve um enfarte agudo do miocárdio e quando teve alta lhe recomendaram que fosse ao seu médico de família e ele respondeu “ há 15 anos que não tenho médico de família”. Pergunta se ele tivesse tido médico de família teria tido o enfarte?

Os Cuidados de Saúde Primários funcionam, salvam vidas e ganham anos de vida.

Assim, o  abandono em que este milhão e meio de utentes tem sido deixado por sucessivos governos é CRIMINOSO.

 

 

 

 

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