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Não foi uma quinta-feira qualquer no Centro de Espiritualidade de Fátima. A sala principal, repleta de rostos conhecidos e anónimos da enfermagem nacional, acolheu a entrega dos Prémios Valor e Excelência, uma iniciativa da Ordem dos Enfermeiros que, ano após ano, tenta colocar na primeira linha o mérito, a inovação e a dedicação silenciosa. Ao palco, subiram não só os premiados, mas também o humorista Herman José, que a par do bastonário Luís Filipe Barreira, desvendou os nomes dos distinguidos. A cerimónia decorreu no âmbito da IV Convenção Internacional de Enfermeiros e II Encontro de Enfermeiros Gestores, misturando solenidade com momentos de descontração.
A noite serviu para celebrar uma profissão em constante evolução. Os prémios, distribuídos por múltiplas categorias, desde a investigação à prestação de cuidados, passando pela docência e pela gestão, procuraram espelhar essa diversidade. Barreira, na sua intervenção, frisou o “compromisso coletivo” necessário para enfrentar os desafios do Sistema Nacional de Saúde, realçando que os exemplos agora premiados são “faróis” para o futuro.
Entre as várias histórias, algumas sobressaíram pelo seu carácter pioneiro. Maria Lisete de Bruges, primeira enfermeira doutorada nos Açores, recebeu uma Menção Honrosa. Um percurso que, nas palavras da organização, abriu portas numa região autónoma. Ao seu lado, foi distinguida Isabel Maria Ribeiro Morais Araújo dos Santos, impulsionadora da Estomaterapia em Portugal e figura-chave na criação de uma consulta pioneira, em 1998, no IPO de Coimbra.
A área da investigação coube a nomes como Bruno Magalhães, professor na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e fundador da Associação Portuguesa de Enfermagem Oncológica, e a Pedro Lucas, coordenador do Departamento de Administração em Enfermagem da Escola Superior de Enfermagem de Lisboa. Já no capítulo do empreendedorismo, os holofotes apontaram para projetos como a Consulta de Gravidez de Baixo Risco da ULS de Loures-Odivelas e o “Maternidade mais Próxima” da ULS do Alto Alentejo, ambos colocando os enfermeiros especialistas no centro de um acompanhamento autónomo e proativo.
A gestão foi representada por Ana Luísa Bastos, cujo trabalho à frente do Hospital Senhora da Oliveira em Guimarães foi destacado, e por Teresa Dotti, enfermeira gestora aposentada do Hospital Pulido Valente, distinguida pelo impacto duradouro da sua liderança. Já no campo da ética, o prémio foi para Maria de Lurdes Martins, professora e membro do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida.
A docência, pilar fundamental, viu premiadas Clementina Morna, da Universidade da Madeira, Helena José, presidente da Escola Superior de Saúde Atlântica, e Maria da Conceição Bento, antiga presidente da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, cuja ação deixou marcas profundas na formação de gerações.
Nos cuidados diretos, foram reconhecidos o trabalho da Consulta de Estomaterapia do IPO de Lisboa, liderada por Cláudia Silva e Sandra Paranhos, e o inovador Centro Geriátrico de Oliveira de Azeméis, um projeto-piloto no SNS que tenta responder a uma das maiores pressões demográficas do país.
A Ordem também quis destacar os chamados Contextos Clínicos Acreditados, fundamentais para a formação de qualidade. Foram premiadas equipas de serviços de Neurologia, Urgência, Cuidados Intensivos e Hospitalização Domiciliária de unidades de saúde de Coimbra, Guimarães, Trás-os-Montes e Tâmega e Sousa.
O ponto alto emocional chegou talvez com a atribuição do Prémio de Enfermeiro do Ano. Este não foi para um rosto, mas para uma rede inteira: os enfermeiros da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados. O galardão, recebido pelos coordenadores regionais Fernando Roques, Fernanda Faleiro, Manuel Oliveira, Emília Fradique e Fernando Cruz, pretendeu simbolizar o trabalho coletivo, diário e frequentemente invisível, de centenas de profissionais que garantem cuidados de longa duração e proximidade em todo o território.
A noite encerrou com um sentido de missão partilhada. Entre aplausos e fotografias, a mensagem era clara: distinguir estes casos não é um fim, mas um incentivo para que a excelência, nas suas mais variadas formas, continue a ser tecida no quotidiano dos hospitais e centros de saúde portugueses.
PR/HN



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