Aumento de Infeções Graves por Listeria na UE Alerta para Riscos Alimentares

9 de Dezembro 2025

A União Europeia alerta para o aumento de infeções graves por Listeria, associadas a alterações nos hábitos alimentares e ao envelhecimento da população. 

Segundo o Relatório de Zoonoses “Uma Só Saúde”, divulgado pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) e pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC), as doenças transmitidas por alimentos continuam a afetar todos os grupos etários, sobretudo os mais vulneráveis. Em 2024, a Listeria foi responsável pela maior proporção de hospitalizações e mortes entre as infeções alimentares notificadas na União Europeia, com cerca de sete em cada dez pessoas infetadas a necessitarem de cuidados hospitalares e uma em cada doze a falecer.

Embora a contaminação por Listeria seja rara, variando entre 0% e 3% nas amostras analisadas, as salsichas fermentadas são os produtos mais frequentemente contaminados. O aumento dos casos tem sido associado ao envelhecimento da população, ao crescimento do consumo de alimentos prontos a consumir e a práticas inadequadas de conservação.

Além da Listeria, outras bactérias como Campylobacter e Salmonella mantêm-se entre as infeções alimentares mais comuns na Europa, com a carne de aves e os ovos a figurarem entre as principais fontes. Nos últimos dez anos, verificou-se um aumento significativo de galinhas reprodutoras e lotes de perus positivos para Salmonella. Em 2025, apenas 14 Estados-membros da UE cumpriram integralmente as metas para redução desta bactéria nas aves.

A EFSA tem ainda alertado para a necessidade de reforçar as medidas de segurança contra a gripe das aves, especialmente após o registo de 1.443 focos da doença em aves selvagens em 26 países da UE entre setembro e novembro de 2025, o número mais elevado desde 2016. Em Portugal, estão confirmados 44 focos ativos, com a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária a recomendar medidas adicionais de prevenção.

A transmissão do vírus da gripe aviária para humanos é rara, mas pode resultar em quadros clínicos graves. As autoridades europeias destacam a importância do controlo das bactérias transmitidas por alimentos ao longo da cadeia alimentar, exigindo esforço contínuo e coordenação entre setores. Recomendam práticas de higiene adequadas, como manter o frigorífico a cinco graus Celsius ou menos, consumir alimentos dentro do prazo de validade, cozinhar bem carnes e ovos, lavar as mãos e utensílios após contacto com produtos crus, e separar alimentos cozinhados dos crus. Grupos vulneráveis, como idosos, grávidas e pessoas com imunidade debilitada, devem evitar alimentos de maior risco, nomeadamente produtos prontos a consumir, leite não pasteurizado e queijos de pasta mole feitos com leite não pasteurizado.

O Relatório de Zoonoses “Uma Só Saúde” integra dados de todos os Estados-membros da UE e de 11 países não pertencentes à União, adotando uma abordagem que reconhece as interligações entre saúde humana, animal e ambiente.

lusa/AL/HN

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