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André Ventura acusou esta terça-feira o Governo de proceder a uma “maquilhagem do sistema de saúde”, referindo-se às horas de espera registadas nas urgências hospitalares. O candidato presidencial falava aos jornalistas no exterior do Externato de Penafirme, em Torres Vedras, onde questionou a preparação do Serviço Nacional de Saúde para o inverno.
“O Governo sabia que vinha aí o inverno, sabia que este tempo estava a chegar. Devia-se ter preparado para o inverno, não devia simplesmente dizer agora ‘preparem-se que vamos ter aqui uns tempos muito maus’”, declarou Ventura. As suas palavras surgem um dia após a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, ter garantido que os hospitais do SNS estão prontos para enfrentar o previsível aumento dos casos de gripe nas próximas semanas.
Para o líder do Chega, a governante “acabou por passar um atestado à sua própria incompetência”. Ventura considerou “absolutamente desumanos” os tempos de espera que, em alguns casos, atingiram as treze horas durante o fim de semana. A esses números, somou ainda o adiamento de intervenções cirúrgicas e a dificuldade em marcar consultas, problemas que, na sua perspetiva, ilustram uma falha estrutural.
“Nós não precisamos de maquilhagem, de coisas corretivas. Nós temos é que dar resposta aos problemas que as pessoas têm”, insistiu o candidato, argumentando que a posição oficial revela um profundo desalinhamento. “Se o Governo diz que está tudo bem, que isto é ok, que não há nenhum problema com isto, é porque o Governo se desligou das pessoas, deixou de ter qualquer ligação com o cidadão comum e vive numa bolha à parte”, completou, com um tom de crescente exasperação.
No domingo, Ana Paula Martins tinha reconhecido que poderá ser necessário “parar a atividade cirúrgica, mantendo sempre as cirurgias urgentes e as cirurgias oncológicas”, face ao aumento esperado da procura. A ministra referiu que o plano de resposta sazonal para o inverno está ativo, envolvendo medidas para reforçar a capacidade do SNS e planos locais de contingência. Sublinhou ainda que cerca de 2,3 milhões de pessoas já receberam a vacina contra a gripe.
O debate sobre a resiliência do sistema de saúde promete continuar nos próximos dias, com a campanha presidencial a dar palco a críticas de fundo à gestão governativa da área.
NR/HN/Lusa



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