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A época das festas convida a exceções à mesa e a uma certa descontração nos ritmos, mas o coração não deve ficar esquecido na lista de preocupações. Foi com esta premissa que a Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC) relançou a campanha “Este Natal dê um presente ao seu coração”, um alerta para que os portugueses não descurem a saúde cardiovascular em dezembro. Joana Delgado Silva, presidente da APIC, sublinha a necessidade de equilíbrio. “Todos sabemos que, na época festiva, há uma tendência para cometer excessos alimentares e para reduzir alguns hábitos mais saudáveis. No entanto, os cuidados com a saúde do coração são imprescindíveis”, afirmou.
A dirigente recorda que a Via Verde Coronária – o protocolo que assegura o tratamento rápido de doentes com enfarte agudo do miocárdio – se mantém ativa sem interrupções, inclusive no dia de Natal e na passagem do ano. É um aviso que ganha contornos de urgência quando se olha para os fatores de risco silenciosos que se agravam nesta altura: a hipertensão, o colesterol elevado, a diabetes. A estes juntam-se comportamentos como o tabagismo, a obesidade e o sedentarismo, que contribuem decisivamente para o desenvolvimento de doença coronária. Esta condição, caracterizada pelo estreitamento das artérias que irrigam o coração devido a depósitos de gordura, pode manifestar-se através de angina de peito ou do temido enfarte.
O enfarte agudo do miocárdio ocorre, na sua essência, quando um coágulo obstrui uma artéria cardíaca, privando uma parte do músculo de oxigénio. Os sinais de alarme, que importa não desvalorizar mesmo em dias de festa, incluem uma dor no peito que pode expandir-se para o braço esquerdo, costas ou pescoço. Suores, náuseas, uma falta de ar inexplicável e uma ansiedade aguda são companheiros frequentes deste quadro. Estes sintomas, por vezes intermitentes e com duração superior a vinte minutos, exigem uma reação imediata.
A recomendação das autoridades de saúde é clara e não admite atalhos: perante a suspeita de um enfarte, deve contactar-se de imediato o 112. A tentação de se dirigir por meios próprios ao hospital mais próximo é um erro, já que nem todas as unidades estão equipadas para executar o tratamento de desobstrução arterial mais adequado, perdendo-se tempo precioso.
No meio dos brindes e dos convívios, a APIC deixa assim um conselho simples, quase prosaico, mas vital: manter a hidratação, moderar o consumo de açúcares, gorduras e sal, evitar exageros no álcool e encontrar espaço para uma caminhada ou outra atividade física. Pequenos gestos que podem fazer a diferença entre uma celebração e uma tragédia.
A Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC) é uma entidade sem fins lucrativos dedicada ao estudo e promoção da intervenção cardiovascular. Mais informações podem ser consultadas no seu portal: www.apic.pt.
PR/HN/MMM



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