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A gripe das aves continua a expandir-se no território português, com a confirmação de dois novos focos de infeção pelo subtipo H5N1 nos distritos de Aveiro e de Lisboa. As autoridades sanitárias mantêm o alerta e as medidas de contenção, num contexto europeu de recrudescência da doença.
A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) avançou hoje com os detalhes. No concelho da Murtosa, em Aveiro, a confirmação surgiu após a análise a uma gaivota de espécie ainda não especificada. Já em Torres Vedras, na região de Lisboa, o vírus foi detetado no seio de uma exploração comercial dedicada à engorda de perus. Este é o sétimo foco registado apenas neste concelho desde o início de novembro, um dado que tem mobilizado particular atenção dos serviços veterinários.
Com estas novas ocorrências, Portugal soma agora 46 focos de infeção desde o arranque do ano. A estirpe H5N1 mantém-se como a predominante no país, alinhando-se com o panorama mais amplo da União Europeia. A Comissão Europeia tinha já anunciado, na terça-feira, a identificação de mais 120 casos em explorações dos Estados-membros e também no Reino Unido, com países como a França, Alemanha, Itália, Países Baixos e Espanha a constarem da extensa lista de afetados, que inclui ainda a Áustria, Bulgária, República Checa, Dinamarca, Irlanda, Letónia, Polónia, Suécia e o próprio território português.
Apesar de a transmissão aos humanos ser considerada um evento raro e pontual a nível global, as consequências podem ser severas quando tal acontece. É essa possibilidade, ainda que remota, que ajuda a justificar a resposta cautelar das autoridades. A DGAV não tem hesitado em classificar o risco de disseminação como “elevado”, tendo decretado o confinamento obrigatório de todas as aves domésticas no continente. Para travar cadeias de contágio, estão interditas as feiras, os mercados e quaisquer exposições ou concursos que envolvam aves de capoeira ou ornamentais.
Nas zonas consideradas de proteção e vigilância, o leque de restrições apertou ainda mais. Está vedada a circulação de aves a partir dos estabelecimentos aí localizados, assim como o repovoamento de aves de caça. A carne fresca de caça não pode sair dos matadouros ou unidades de processamento, e aplica-se a mesma proibição aos ovos para consumo humano e a outros subprodutos de origem animal. Este pacote de medidas surge também em resposta a apelos anteriores da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), que instou os países da UE a reforçarem a sua preparação face aos novos surtos.
A situação, diga-se, parece longe de estar controlada. A deteção constante de novos casos, tanto em aves selvagens como em explorações comerciais, sugere uma pressão viral sustentada. Os serviços veterinários nacionais mantêm-se em monitorização ativa, num trabalho que é tanto de vigilância como de comunicação aos produtores, tentando conter prejuízos que vão muito para além da saúde animal.
NR/HN/Lusa



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