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A perceção de bem-estar é subjetiva e multidimensional. Para ela concorrem componentes emocionais, físicas, cognitivas, sociais e contextuais. O bem-estar psicológico em estudantes do Ensino Superior tem sido o foco de muitas investigações e a Ordem dos Psicólogos Portugueses tem disponibilizado documentos que merecem consulta atenta. Neste artigo, traçamos algumas recomendações sobre a temática.
ACOLHIMENTO
Habitualmente, os estudantes que ingressam no Ensino Superior estão motivados e investiram muito do seu percurso escolar e pessoal dos anos anteriores nesta nova etapa das suas vidas. Ainda assim, vivenciar um acolhimento positivo é determinante para uma boa integração. O acolhimento consiste na atitude institucional que facilita: a sensação de pertença à Instituição, a compreensão das novas responsabilidades e oportunidades, a criação de redes de apoio e o ajustamento emocional às novas exigências. Um acolhimento humanizado pode funcionar através de programas de mentoria, sessões de ambientação, atividades de literacia em saúde psicológica e formação de docentes, funcionários e alunos mentores.
INTEGRAÇÃO
O processo de integração participativo inclui o da noção de que cada um pode fazer a diferença. Para tal, são relevantes as dinâmicas entre pares e o desenvolvimento de relações sociais significativas na turma e com os demais estudantes. Do mesmo modo, a perceção de apoio que os estudantes desenvolvem relativamente ao corpo docente e não-docente, a proximidade interpessoal entre diferentes grupos e a contínua clarificação sobre procedimentos institucionais são elementos essenciais para que o processo de integração seja vivenciado positivamente, contribuindo para níveis satisfatórios de bem-estar psicológico.
ACOMPANHAMENTO
O percurso académico requer, inicialmente, maior apoio e uma receção mais cuidada e, à medida que se vai conhecendo o novo ambiente (aprendendo a gerir expetativas e prevendo o clima académico) instala-se uma progressiva autonomia. Contudo, o acompanhamento ao longo do percurso não deve ser descurado. É no decorrer do processo de aprendizagem que têm lugar momentos de discernimento e tomadas de decisão, particularmente as relativas ao futuro profissional. Assim, a possibilidade de esclarecer dúvidas e a atenção dada ao outro não devem ser descuradas. Quando o acompanhamento ocorre de forma empática, participada e informada, transforma a transição académica num processo de florescimento.


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