Oito vozes juntam-se para exigir ação nacional imediata no combate ao cancro

11 de Dezembro 2025

Num movimento inédito, oito associações da sociedade civil, incluindo as maiores representantes de doentes oncológicos, enviaram uma carta aberta às mais altas figuras da Saúde e do Governo, exigindo uma resposta política urgente, coordenada e sustentada para o cancro. A iniciativa sublinha a emergência de saúde pública que a doença representa

Pela primeira vez, um grupo de oito organizações fez causa comum para desafiar o poder político. AC Rim, Careca Power, Europacolon Portugal, Associação EVITA – Cancro Hereditário, Liga Portuguesa Contra o Cancro, Plataforma Saúde em Diálogo, Pulmonale e Sociedade Portuguesa de Literacia na Saúde uniram-se na redação de uma carta aberta, endereçada à Ministra da Saúde, aos deputados, à Direção-Geral da Saúde, ao INFARMED e à direção do SNS. O documento, intitulado “Compromisso Público com a Oncologia: é tempo de tratar o cancro a sério”, funciona como um alerta solene e um plano de ação.

Os números, citados pelas entidades, desenham um panorama que exige resposta. Todos os dias, 191 pessoas recebem um diagnóstico de cancro e 92 perdem a vida. Com mais de 69 mil novos casos em 2022 e sendo a segunda principal causa de morte no país, as projeções apontam para um crescimento de 12% até 2030. Esta sombra, argumentam, paira não só sobre a saúde pública mas também sobre a sustentabilidade do próprio Serviço Nacional de Saúde. “Cada atraso no rastreio, num exame ou no acesso a tratamentos se traduz em vidas e qualidade de vida perdidas”, pode ler-se no texto, que insiste na premissa de que atuar mais cedo salva vidas, protege famílias e alivia pressões financeiras no SNS e na Segurança Social.

O coração da carta bate em torno de cinco eixos considerados essenciais. As associações clamam por uma aposta forte na prevenção primária, através de programas de literacia e vacinação. Defendem um diagnóstico mais precoce, com redução sistemática de tempos de espera e alargamento da cobertura dos rastreios. O acesso equitativo a tratamentos inovadores, independentemente de geografia ou condição social, é outra bandeira. Paralelamente, exigem a geração de melhor evidência, através de um registo oncológico nacional robusto, orientações clínicas com participação de doentes e a inclusão da sua perspetiva na tomada de decisão. Por fim, apelam a uma nova organização e investimento, sugerindo a criação de uma entidade específica para a oncologia com estratégia clara, maior financiamento, otimização da “Via Verde” e reforço de recursos humanos e tecnológicos.

O tom é de urgência e o passo seguinte é concreto. As organizações signatárias solicitaram reuniões formais com todas as entidades destinatárias para apresentar as suas propostas em detalhe. O objetivo é obter, não promessas vagas, mas “compromissos públicos concretos e calendarizados” para a sua implementação. O apelo final resume o sentimento: “Não podemos esperar mais — cada vida salva é uma vitória coletiva. É tempo de agir com firmeza e responsabilidade.”

A carta aberta está disponível para consulta através dos contactos das entidades promotoras.

PR/HN

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