O SNS em Crise: A Urgente Responsabilidade do Governo Montenegro

12 de Dezembro 2025

A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) registou uma adesão massiva à greve geral de 11 de dezembro, com cerca de 80% dos médicos a participarem. 

Este dado demonstra de forma inequívoca a profunda deterioração das condições de trabalho no Serviço Nacional de Saúde (SNS), assim como o elevado grau de rejeição dos profissionais em relação ao pacote de legislação laboral proposto pelo governo liderado por Luís Montenegro.

De norte a sul do país, houve encerramentos completos de blocos operatórios, adiamento de cirurgias programadas e suspensão de consultas tanto nos cuidados primários como hospitalares. Estas consequências são resultado direto das políticas adotadas pelo governo Montenegro, que têm comprometido gravemente a capacidade de resposta dos serviços de saúde e deteriorado as condições laborais dos médicos. É importante sublinhar que, apesar do impacto da greve, os serviços mínimos legalmente estabelecidos foram integralmente cumpridos pelos médicos.

A expressiva adesão à greve confirma aquilo que os profissionais da saúde vêm alertando há anos: não é possível manter um SNS funcional quando este assenta em condições precárias, com horários desregulados, equipas reduzidas, carreiras profissionais estagnadas e exigências incompatíveis com a segurança clínica. Bastou um único dia de paralisação para que o país testemunhasse o que o governo Montenegro insiste em ignorar: um SNS sem profissionais suficientes não consegue responder eficazmente às necessidades da população.

A FNAM reafirma, com ainda maior firmeza, o seu compromisso em apresentar soluções concretas para fixar médicos no SNS, estabilizar as equipas, garantir salários justos e condições de trabalho dignas, e assegurar cuidados seguros e de qualidade aos utentes. A ação da FNAM continuará com determinação e sem recuos, pois o governo já não dispõe de margem para adiar decisões nem para fingir que os problemas não existem. Terá de enfrentar de frente a realidade que os médicos tornaram impossível de disfarçar.

PR/HN/AL

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

FNAM alerta: Decreto-Lei das urgências regionais ameaça cuidados de proximidade

A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) denuncia que o Decreto-Lei recentemente publicado pelo governo de Montenegro, que trata da concentração das urgências regionais, representa um ataque aos cuidados de proximidade aos cidadãos e coloca em risco grávidas, recém-nascidos e utentes em todo o país.

Correia de Campos apela ao PS: votem em Gouveia e Melo

Num discurso inflamado em Oeiras, o antigo ministro socialista Correia de Campos apelou aos eleitores do PS para rejeitarem a disciplina partidária e votarem no candidato presidencial Henrique Gouveia e Melo

CPAS mantém regime obrigatório e afasta hipótese de adesão à Segurança Social

A Caixa de Previdência dos Advogados e Solicitadores não permitirá a transferência dos seus beneficiários para a Segurança Social. O presidente reeleito, Victor Alves Coelho, justificou que uma saída em massa poria em risco o pagamento das pensões atuais. Foram anunciadas novas medidas de flexibilidade contributiva

Cova da Beira reduz em 88% as cirurgias com espera superior a um ano

A Unidade Local de Saúde da Cova da Beira resolveu 96% das cirurgias pendentes do final de 2024 e reduziu em 88% o número de utentes que esperavam há mais de um ano por intervenção. A lista global de espera cirúrgica diminuiu 27% durante 2025, apesar do ingresso de mais de 2.300 novos casos.

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights