Prémio Nobel Narges Mohammadi detida no Irão – fundação homónima

12 de Dezembro 2025

A laureada com o Prémio Nobel da Paz de 2023, Narges Mohammadi, foi detida no Irão, onde se encontrava em liberdade provisória por motivos de saúde, anunciou hoje a fundação iraniana criada em seu nome.

“A Fundação Narges Mohammadi anunciou ter recebido informações credíveis de que Narges Mohammadi foi violentamente detida pelas forças de segurança e pela polícia há cerca de uma hora, durante a cerimónia do sétimo dia em memória de Khosrow Alikordi”, um advogado falecido na semana passada, indicou o comité por volta das 13:00 de Lisboa.

A advogada francesa de Narges Mohammadi, Chirine Ardakani, confirmou igualmente a informação à agência noticiosa France-Presse (AFP).

A fundação afirmou que Mohammadi foi detida durante uma cerimónia em memória de um advogado de direitos humanos recentemente encontrado morto no seu escritório.

Não houve, para já, qualquer comentário por parte das autoridades iranianas sobre a detenção de Mohammadi, de 53 anos. Está por esclarecer também se foi reconduzida à prisão para cumprir o restante da pena.

Os seus apoiantes afirmaram que Mohammadi foi “violentamente detida hoje pelas forças de segurança e pela polícia”. Acrescentaram que outros ativistas foram igualmente detidos.

“A Fundação Narges apela à libertação imediata e incondicional de todas as pessoas detidas que participavam numa cerimónia memorial para prestar homenagem e demonstrar solidariedade. A sua detenção constitui uma grave violação das liberdades fundamentais”, lê-se num comunicado da fundação.

Os apoiantes tinham alertado durante meses que Mohammadi corria o risco de ser novamente encarcerada após lhe ter sido concedida uma licença em dezembro de 2024 por razões médicas.

Embora a licença devesse durar apenas três semanas, o período prolongou-se, possivelmente devido à pressão de ativistas e de países ocidentais para que se mantivesse em liberdade. Continuou fora da prisão mesmo durante a guerra de 12 dias ocorrida em junho entre o Irão e Israel.

Mohammadi manteve a sua atividade militante com protestos públicos e intervenções na imprensa internacional, incluindo uma manifestação em frente à prisão de Evin, em Teerão, onde já tinha estado detida.

A ativista cumpria uma pena de 13 anos e nove meses por alegada conspiração contra a segurança do Estado e propaganda contra o Governo iraniano. Apoiou igualmente os protestos desencadeados pela morte de Mahsa Amini, em 2022, durante os quais mulheres desafiaram abertamente as autoridades ao não usarem o ‘hijab’.

Segundo os seus apoiantes, Mohammadi sofreu vários enfartes enquanto esteve presa, antes de ser submetida a uma cirurgia de urgência em 2022. No final de 2024, a sua advogada revelou que médicos tinham identificado uma lesão óssea potencialmente cancerígena, posteriormente removida.

“Os médicos de Mohammadi prescreveram recentemente uma extensão da sua licença médica por pelo menos mais seis meses, para permitir exames regulares e completos, incluindo o acompanhamento da lesão óssea removida da perna em novembro, sessões de fisioterapia para recuperação da cirurgia e cuidados cardíacos especializados”, afirmou a Free Narges Coalition no final de fevereiro de 2025.

“A equipa médica que acompanha Mohammadi alertou que um regresso à prisão, em especial sob condições de detenção ‘stressantes’ e sem cuidados médicos adequados, poderia agravar gravemente o seu estado de saúde”, sublinhou ainda a fundação.

Engenheira de formação, Mohammadi foi detida 13 vezes e condenada cinco. No total, acumulou mais de 30 anos de penas de prisão.

A última reclusão começou quando foi detida em 2021 após participar numa cerimónia em memória de uma pessoa morta durante protestos em todo o país.

lusa/HN

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