Luís Filipe Menezes vincula futuro do hospital aos congestionamentos portuenses e exige reforço de serviços, enquanto administração garante normalidade

13 de Dezembro 2025

O presidente da Câmara de Gaia defende que os congestionamentos no Porto exigem mais serviços no hospital local, criando um debate público com a administração da unidade, que garante a normalidade das suas valências

Num cenário de congestionamentos crónicos na Via de Cintura Interna do Porto, o presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia, Luís Filipe Menezes, defendeu esta sexta-feira que o Hospital de Gaia vê reforçada a sua missão como unidade polivalente. Perante os problemas de mobilidade, o autarca argumenta que a resposta hospitalar na periferia da área metropolitana se torna mais crucial do que nunca. “Eu admiro-me que ainda muitas grávidas não tenham dado à luz na Ponte da Arrábida”, ironizou, numa alusão direta aos engarrafamentos. Menezes falava antes de uma reunião que juntou atuais e antigos diretores do hospital, médicos e o presidente da Câmara de Espinho, Jorge Ratola.

A convicção do autarca é a de que o Governo deve reforçar de “uma forma definitiva” a polivalência qualitativa e de emergência médica da Unidade Local de Saúde Gaia/Espinho (ULSGE), que considera ser “o grande centro a sul do Porto”. Esta posição surge num contexto de ruído político em torno de uma eventual redefinição da rede de referenciação em pediatria, que gerou receios de perda de valências no hospital gaiense. Menezes não tem dúvidas sobre quem garantiu a manutenção do serviço de pediatria: “Em abono da verdade, eu acho que foi pelo barulho que nós fizemos”. E rematou, expandindo o objetivo: “queremos mais serviços, queremos melhores serviços… queremos a qualificação numa lógica de hospital universitário”.

Do lado da administração do hospital, o tom é visivelmente mais sereno. O presidente do conselho de administração, Luís Matos, afirmou ter recebido confirmação escrita de que a unidade mantém a classificação IIB em pediatria e que não há problemas na área. Contactado pela Lusa, Matos mostrou-se “muito tranquilo” e sugeriu que a controvérsia poderá dever-se a “um lapso”. Reconheceu apenas a falta de uma Unidade de Cuidados Intermédios Pediátricos, um elemento fulcral na proposta nacional, mas estabeleceu o compromisso de a criar até 2026. “Se é só por isso que estão a ponderar a hipótese de nós sermos IIA em vez de IIB, o assunto morre e morre hoje”, declarou, rejeitando a palavra “desclassificação”.

As preocupações de mobilidade alegadas por Menezes encontram eco em medidas concretas que estão a ser desenhadas para a região. O Governo anunciou que, a partir de março, os veículos pesados de mercadorias deixarão de pagar portagem na Circular Regional Exterior do Porto (CREP) durante as horas de ponta, numa tentativa de aliviar o tráfego da congestionada VCI. Paralelamente, um grupo de trabalho do Conselho Metropolitano do Porto estuda medidas complementares, que podem passar pela introdução de portagens para pesados na VCI ou mesmo pela proibição da sua circulação em horas de ponta.

Apesar da tranquilidade transmitida pela administração, a questão hospitalar galvanizou a classe política local. O PS de Gaia já tinha manifestado preocupação, alertando num comunicado para um “impacto negativo a milhares de utentes e famílias” que seriam forçadas a deslocações ao Porto. Anteriormente, Menezes tinha desafiado a ministra da Saúde a esclarecer os planos para a ULSGE, opondo-se “duramente” à sua desvalorização e alertando para os “‘lobbys’ poderosos que continuam a mandar nisto tudo”. A construção do novo Hospital de Gaia/Espinho, que serviria meio milhão de pessoas, é também uma ambição antiga, recentemente reiterada através de uma moção aprovada na Assembleia Metropolitana do Porto.

Questionado sobre as prioridades para o hospital, Luís Matos apontou a necessidade de encontrar meios para fazer novas instalações e, finalmente, concluir o novo Hospital de Gaia. A terminar, o administrador reforçou não ter recebido “nenhuma indicação da tutela” que colocasse em causa as valências da unidade que dirige, procurando afastar definitivamente o espectro da desclassificação.

NR/HN/Lusa

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