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A realidade diária dos doentes internados no Hospital Provincial de Lichinga, no norte de Moçambique, é marcada por uma privação básica: recebem apenas uma refeição por dia. O director da unidade, Alfredo Chichava, confirmou que a situação deriva directamente da falta de recursos, um reflexo do baixo orçamento alocado à instituição. “Por dia, neste momento, estamos a dar uma refeição muito reforçada, que é o jantar”, admitiu Chichava, numa descrição que pinta um quadro de austeridade forçada.
A justificação, segundo o gestor, prende-se com contas que não fecham. Mas persiste uma expectativa, ainda que cautelosa, de melhorias à vista. “Já estávamos a prever pelo menos iniciar com o pequeno-almoço, em princípio em janeiro, vamos ter o pequeno-almoço e o jantar”, avançou. O plano traçado, contudo, revela uma gestão de escassez. A estratégia passa por um alargamento faseado, dependente do incremento financeiro. “À medida que o orçamento for massificado poderemos já introduzir o almoço e o jantar e, provavelmente, retiramos o pequeno-almoço”, explicou, delineando um puzzle logístico onde a adição de uma refeição pode implicar a subtração de outra.
Em resposta à carência, o executivo provincial do Niassa moveu-se. Na quinta-feira, concretizou a entrega de um conjunto de produtos alimentares ao hospital, numa acção de socorro imediato. A doação, que incluiu arroz, óleo, farinha de trigo, sumos, água, leites e açúcar, visa reforçar a dieta dos pacientes e aliviar as pressões sobre a unidade. O governo provincial assegurou, através de uma nota, que existem esforços adicionais em curso para estabilizar o fornecimento de alimentação, um dos pilares do cuidado clínico que aqui se vê comprometido.
O Hospital de Lichinga integra uma rede nacional de saúde que, segundo os últimos dados do Ministério da Saúde, conta com 1.778 unidades. Esta rede é composta por 107 postos de saúde, três hospitais especializados, quatro centrais, sete gerais, sete provinciais como o de Lichinga, 22 rurais e 47 distritais. Um sistema que, na sua ponta mais distante no Niassa, mostra as suas fracturas mais visíveis na simplicidade de um prato de comida.
NR/HN/Lusa



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